Era uma vez uma princesa chamada Silvana, que adorava se enfeitar. Ela tinha vestidos lindos, brincos lindos e uma coroa linda — mas o mais bonito de tudo eram suas miçangas coloridas, que usava no pescoço.
Um dia de manhã, Silvana estava brincando no jardim e o fio das miçangas acabou arrebentando. Ela só percebeu isso na hora do almoço e começou a chorar. Eram suas miçangas favoritas, que a mamãe rainha tinha comprado para ela há muito tempo.

O rei logo mandou os criados procurarem e trazerem as miçangas. Mas nenhum deles encontrou nenhuma. Pouco depois, todos fugiram do jardim.
“Por que vocês não estão procurando as miçangas?”, perguntou o rei, irritado.
“A gente até queria, Majestade, mas apareceu uma toupeira lá e expulsou todo mundo”, disseram os criados.
“Como é que uma toupeira tão pequena conseguiu expulsar vocês?”
“Ela não é tão pequena assim, e é brava! Ficou jogando terra na gente. E ainda disse que, se continuássemos pisando na cabeça dela, ia morder todo mundo.”
O rei mandou o jardineiro expulsar a toupeira e encontrar as contas do colar. Mas o jardineiro também voltou correndo.
“Senhor rei, eu vi uma conta azul. A toupeira estava levando para a toca dela. Quando tentei impedir, ela me mostrou seus dentes e mordeu meu ancinho no meio!”, choramingou o jardineiro, mostrando a ferramenta partida em duas.
“Que bela confusão”, resmungou o rei. “Desde quando toupeiras sabem morder ancinho?”
“Acho que essa é mágica, Majestade.”
O rei balançou a cabeça e coçou o queixo, quase arrancando a própria barba de tanto pensar. Até que teve uma ideia.
“Avisem que estamos procurando alguém para nos livrar daquela toupeira. E precisa ser forte, esperto e enxergar bem, para achar todas as contas do colar.”
A notícia se espalhou por todo o reino, e logo chegaram três rapazes, que se gabavam de enxergar super bem e estavam decididos a vencer a toupeira.
“Muito bem, três rapazes valentes de uma vez!”, comemorou o rei. “Então corram para o jardim, cerquem a toupeira e pulem em cima dela.”
“Que nada!”, disseram os rapazes, balançando a cabeça, cada um falando ao mesmo tempo: “Eu não vou dividir a vitória com ninguém!”
“Então vocês vão um por vez. Você, por exemplo”, disse o rei, apontando para o primeiro. “Como se chama?”
O rapaz mordeu uma cenoura e respondeu: “Eu sou o cavaleiro Oscar, da Ilha das Cenouras. Vou atrair essa toupeira com uma cenoura, depois vou cercá-la e pisar tão forte na toca dela que ela vai sair do outro lado do mundo.”
O cavaleiro foi até o jardim, mas como demorou para voltar, o rei mandou os criados irem buscá-lo. Encontraram Oscar enterrado até o pescoço, com uma cenoura enfiada no nariz.
“Então agora é a sua vez”, disse o rei, apontando para o segundo rapaz, que segurava uma lente mágica na mão.
“Eu sou João, senhor de uma terra do outro lado do mar, onde fabricamos lentes de aumento mágicas. Com elas, posso enxergar qualquer colar de miçangas como se fosse uma bola enorme! Olhe só, senhor rei.”
“Bonito”, disse o rei, olhando pelo vidrinho. “Aqui a gente chama isso de óculos. Boa sorte, João.”
João demorou a voltar, e o rei mandou os criados procurá-lo. Eles o encontraram enterrado num monte de terra, só com a cabeça de fora — e o vidrinho enfiado na boca.
“Agora é a sua vez, rapaz. Como se chama?”, perguntou o rei ao último moço.
“Eu sou o Miguel. Resolvo tudo na paz e na base do carinho. É só abraçar essa toupeira e mostrar o nosso amor pra ela.”
Com essas palavras, Miguel foi para o jardim. Mas, como não voltou nem para o jantar, o rei mandou os criados procurá-lo. Ficaram surpresos ao ver que o montinho estava vazio. Logo descobriram Miguel enterrado um pouco ao lado, no esterco, com o nariz inchado — a toupeira tinha mordido ele ali mesmo!
O rei estava desesperado, mas não tanto quanto a princesa. Tristinha, Silvana foi até o jardim, sentou-se e começou a cantar bem baixinho:
“Miçangas, minhas miçangas,
rolaram pra bem longe.
Quem me ajudar a encontrar,
com esse eu vou me casar.”
De repente, surgiu aos pés dela um punhado das miçangas perdidas. Outras foram aparecendo, uma a uma, trazidas pela toupeira. A princesa recolheu todas, colocou num novo fio e pendurou no pescoço.
“O que prometi, eu cumpro, querida toupeira”, disse a princesa. No dia seguinte, mandou avisar que haveria um grande casamento.
“Você não pode se casar com uma toupeira!”, reclamou o rei.
“A toupeira me trouxe minhas miçangas. Além disso, eu dei minha palavra. E promessa é promessa”, respondeu Silvana.
No dia especial, a princesa, com seu vestido mais bonito, ficou diante do altar de mãos dadas com a toupeira. Assim que deu um beijinho em seu focinho, uma névoa brilhante os envolveu, e no lugar da toupeira apareceu um jovem príncipe.
“Obrigado, Silvana, por me libertar do feitiço. Eu sou o príncipe Carlos. Uma fada má me transformou em toupeira, e só um beijo de amor verdadeiro poderia me salvar.”
Foi uma alegria só! Silvana ficou feliz por ter um marido tão bonito e, principalmente, tão bondoso. Juntos, tornaram-se rei e rainha. Desde então, todos conheciam Carlos como o Rei Toupeira. Ele não se importava — era um rei sábio e gentil, e viveu feliz para sempre com sua amada Silvana.
Minha filha amou a história!!! ❤️❤️❤️❤️
Minha filha amou a história. Obrigada ao escritor.