Joãozinho e o tesouro

Era uma vez, num pequeno vilarejo, um menino chamado Joãozinho. Ele era muito habilidoso: sabia trabalhar na roça, consertar casas e, quando tinha um tempinho, adorava passear pela floresta que ficava ali pertinho. Às vezes encontrava alguns cogumelos para o café da manhã; outras vezes, apenas ia descansar um pouco.

Mas, num desses dias em que saiu para passear, aconteceu com Joãozinho algo que ele nunca imaginaria. Ele caminhava pela trilha da floresta quando, de trás de uma pedra, pulou um homenzinho baixinho e disse:

Histórias para crianças -  Joãozinho e o tesouro
 Joãozinho e o tesouro

“Moço, nos ajude! Sozinhos, não conseguimos nos defender.”

“O que aconteceu? Alguém está querendo fazer mal a vocês?”, perguntou Joãozinho, surpreso.

“Moço, eu e meus companheiros cuidamos do tesouro do nosso senhor. Lá tem todo tipo de riqueza — ouro, joias, porcelanas. Mas o mais valioso é um cálice, que traz felicidade para todo o país. Se o perdermos, será o nosso fim”, explicou o homenzinho.

“E por que vocês perderiam isso?”, perguntou Joãozinho, ainda mais surpreso. Ele andava por ali havia anos, mas nunca tinha ouvido falar de nenhum tesouro.

“Vimos homens grandalhões armados com porretes. Acho que sabem do nosso tesouro e querem roubá-lo. Não podemos deixá-los levar nada. Se nos proteger, vamos lhe pagar bem”, disse o homenzinho.

Joãozinho pensou por um momento e aceitou a proposta. Logo teve uma ideia de como enganar os bandidos malvados. Assim, foram até a caverna, onde realmente estavam escondidos muitos tesouros.

“Então, qual é o seu plano?”, perguntou o homenzinho a Joãozinho, e ele deu de ombros.

“Só vamos esperar por eles. Se o meu plano funcionar, nem vamos precisar lutar, e eles mesmos irão embora”, respondeu Joãozinho.

Os homenzinhos ficaram surpresos, mas acreditaram que Joãozinho fosse mesmo inteligente e tivesse pensado em algo muito esperto. Não demorou muito, e os bandidos apareceram correndo em direção à caverna.

“Parem, pessoal!”, gritou Joãozinho, e os bandidos pararam.

“Pra que brigar? A gente pode resolver isso de um jeito mais inteligente.”

O chefe dos bandidos coçou a cabeça e disse:

“Então, qual é a sua ideia? Existe mesmo outro jeito além de roubar?”

“Claro que existe”, respondeu Joãozinho. “Vou fazer três charadas para vocês. Se acertarem todas, o tesouro será de vocês. Mas, se errarem, nunca mais apareçam por aqui.”

Os bandidos riram da ideia. Nunca ninguém tinha sugerido algo assim, mas acabaram concordando.

“Primeira charada: Se você me alimentar, eu sobrevivo; se me molhar, eu morro.”, disse Joãozinho.

Os bandidos pensaram um pouco e responderam:

“É o fogo.”

Joãozinho ficou surpreso por eles terem acertado tão rápido e então continuou.

“Segunda charada: Às vezes você me vê inteira, às vezes só uma parte, e às vezes não me vê.”

Dessa vez demoraram um pouco mais, mas acertaram:

“É a lua.”

Os homenzinhos começaram a ficar com medo de perder o tesouro.

“Terceira charada: Você é dono disso, mas os outros usam mais do que você.”

Os ladrões e os homenzinhos pensaram bastante, mas ninguém conseguia encontrar a resposta. Até que o chefe dos ladrões disse:

“Desistimos. Você deve ser mais esperto do que a gente. Fique com o seu tesouro. Você venceu de forma justa.”

E foram embora.

Os homenzinhos, aliviados e felizes, perguntaram a Joãozinho o que aquela resposta significava.

“É o nome de vocês. Vocês são donos do próprio nome, mas são os outros que o usam”, explicou Joãozinho.

“Obrigado pela ajuda. Como recompensa, aceite esta panela cheia de moedas de ouro. E, se algum dia precisar de ajuda, será sempre bem-vindo aqui”, agradeceu o homenzinho.

Joãozinho voltou para casa com tanta riqueza que construiu uma casa enorme para sua família e comprou uma fazenda tão grande que se tornou o maior fazendeiro da região.

Até hoje ele se lembra daquela aventura e ainda espera, um dia, reencontrar os pequenos guardiões do tesouro.

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