Natália e Ema já estavam esperando ansiosas fazia muito tempo para viajar com os pais nas férias. Todo ano, iam para uma pequena cabana nas montanhas, onde adoravam ficar.
Assim que chegaram à cabana, os pais foram desfazer as malas e as meninas foram para a floresta, que ficava logo depois da cerca do jardim.

Entre as árvores, no fim da tarde, a luz era diferente, e as pessoas diziam que às vezes apareciam luzinhas misteriosas por lá. Nas histórias que as pessoas contavam, as luzinhas levavam as pessoas para fora do caminho ou só apareciam em pântanos. Mas os pais das meninas sempre falavam que eram apenas histórias antigas e que elas não precisavam ter medo das luzinhas da floresta — inclusive, podiam até confiar nelas. Mesmo assim, Ema e Natália não sabiam muito bem o que pensar. A floresta parecia enorme para elas e, à noite, até um pouco assustadora.
As meninas voltaram para a cabana naquela noite, e enquanto estavam sentadas em um banco na varanda, Natália notou uma caixinha bonita na prateleira. “O que é isso?”, perguntou. Mamãe sorriu e abriu a caixinha. Dentro havia um pingente de prata antigo, com uma florzinha gravada. “Era da minha avó. Ela dizia que trazia sorte”, explicou. As meninas olharam para o pingente por um tempo, e depois mamãe o guardou novamente na caixinha.
No dia seguinte, Ema pegou o pingente emprestado para olhar com mais calma. E quando foi passear na floresta com Natália, levou o pingente junto. A florzinha gravada parecia um botão de rosa, e elas acharam o pingente muito bonito. Mas, quando estavam voltando para a cabana, Ema acabou perdendo o pingente em algum lugar. Ela e Natália procuraram por meia hora, mas infelizmente não o encontraram. Quando chegaram à cabana, não queriam que a mamãe ficasse triste, então ainda não contaram a ela. Depois do jantar, decidiram voltar para a floresta para tentar encontrar o pingente antes de escurecer completamente.
Já estava escurecendo entre as árvores, mas ainda dava para ver o caminho. De repente, uma luzinha apareceu à beira da trilha, piscando de leve, como se quisesse chamar a atenção delas. Natália parou. “Você está vendo isso?”, sussurrou.
Ema respondeu: “É um vaga-lume!”. Não parecia daquelas luzinhas das histórias assustadoras, que fazem as pessoas se perderem. A luzinha ficou junto da trilha, sem entrar na parte mais fechada da floresta. Ela flutuava baixinho sobre o musgo e parecia querer mostrar por onde elas deveriam seguir.
Natália e Ema se olharam rapidamente e já sabiam o que fazer. Foram atrás do vaga-lume. Depois de caminhar um pouco, a luzinha foi ficando mais devagar e parou numa parte rasa do musgo. Algo brilhou de leve entre as agulhas de pinheiro e o musgo.
Ema se ajoelhou para ver melhor e, de repente, aquilo brilhou de novo. “É ele!”, exclamou animada, pegando com cuidado o pingente que tinha perdido.
Natália olhou para a luzinha, que continuava com elas e estava piscando lentamente. Era como se dissesse: “Pronto, vocês encontraram. Agora podem voltar”.
No caminho de volta para a cabana, perceberam que ainda mais luzinhas piscavam ao redor delas. Pareciam pequenas gotas de luz que ajudavam as meninas a continuar no caminho certo.
Assim que saíram da floresta, as luzinhas ficaram paradas entre as árvores. As meninas viraram e olharam mais uma vez para a floresta. Desta vez, não sentiram medo, mas uma calma diferente.
“O papai tinha razão. As luzinhas não são criaturas assustadoras. Elas só cuidam para que ninguém se perca por aqui”, disse Natália baixinho.
Ema apertou o pingente na mão e sorriu. Ela se sentiu aliviada por ter encontrado o pingente e também percebeu que a floresta não é tão profunda e assustadora como pensava antes. Na verdade, ela é tranquila, silenciosa e até ilumina o caminho quando as pessoas mais precisam.
História linda!!