As histórias de dormir

Laura e Lucas eram irmãos gêmeos. Eles se gostavam muito e faziam tudo juntos. Até dormiam sempre na mesma hora. Todas as noites, quando anoitecia, os dois se deitavam e a mamãe entrava no quarto para contar uma história.

E não era qualquer história. Traziam aventuras incríveis, cheias de surpresas, que só a mamãe sabia inventar. Às vezes os gêmeos riam, outras vezes ficavam bem quietinhos, curiosos para saber o que ia acontecer. E o mais importante: a mamãe não lia livros. Ela inventava tudo na hora. Sem as histórias dela, Laura e Lucas simplesmente não conseguiam dormir. Até que um dia aconteceu algo inesperado.

Contos para crianças - As histórias de dormir
As histórias de dormir

A mamãe precisava terminar umas tarefas importantes do trabalho e não podia contar a história naquela noite. Ela ficou triste, mas precisava mesmo terminar tudo. “Mamãe, o que vamos fazer? Nós não conseguimos dormir sem a sua história!”, disseram os gêmeos, preocupados. “Calma, meus amores. Hoje vai ter história, sim. Quem vai contar é o papai!”, respondeu a mamãe.

Laura e Lucas adoraram a ideia e correram para a cama. O quarto estava escurinho, iluminado só por um abajur bem pequeno, e os dois esperavam animados pela história do papai. A porta se abriu, o papai entrou, sentou na cadeira… e pegou um livro. “Papai, por que você pegou um livro?”, perguntou Laura. “Ué, para escolher a história que vou contar hoje!”, disse ele, achando que estava tudo certo. Lucas explicou: “Papai, a mamãe não lê as histórias. Ela inventa! Assim nem precisa acender a luz”.

O papai arregalou os olhos. “Ah, entendi! Então hoje vou inventar também. Vamos lá… Era uma vez… uma casinha feita de doces!”. Mas as crianças gritaram: “Não vale! Essa a gente já conhece! Queremos uma diferente!”. O papai pensou um pouquinho, coçou o queixo e, de repente, ele teve uma ideia.

“Tudo bem. Então vou contar sobre… uma casinha de chocolate. Mas uma casinha muito, muito diferente!”. E começou a história. Na história do papai, não eram as crianças que se perdiam. Era a bruxa! E ela não queria comer ninguém, só queria ajuda para voltar para casa. O papai contou como a bruxa andou pela floresta, tropeçou num galho, caiu sentada, escorregou pela lama, bateu de cara na casinha de chocolate e ficou sem saber se estava toda suja de barro ou de chocolate. Ela até lambeu o dedo para descobrir! Laura e Lucas riam tanto que até seguravam a barriga.

De vez em quando interrompiam: “Papai, quanto tempo ela escorregou?”, “Papai, a casinha era grande?”. E o papai continuou: “Quando as crianças ajudaram a bruxa a voltar para sua casinha, ela agradeceu e disse que a casa de chocolate não era uma boa ideia. Melhor transformar tudo em uma casinha de biscoito!”.

Quando terminaram de rir, os gêmeos se enroscaram nas cobertas, já com sono. O papai deu um beijo de boa noite em cada um e estava quase saindo do quarto quando ouviu Lucas sussurrar: “O papai é demais, né? A mamãe conta muito bem, mas eu nem sabia que ele inventava histórias tão legais. Agora eles têm que se revezar!”. “É mesmo. O papai é muito legal”, concordou Laura. “O mais legal de todos”, disse Lucas, fechando os olhos.

O papai, lá na porta, murmurou baixinho: “Então eu sou legal…”, e fechou a porta com um sorriso grande e orgulhoso. Desde aquele dia, a mamãe e o papai começaram a se revezar nas histórias de dormir. Às vezes um conta, às vezes o outro. E, de vez em quando, contam até juntos, e é aí que Laura e Lucas descobrem que seus pais conseguem inventar histórias ainda mais incríveis.

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