Em um moinho, não muito longe de uma lagoa e perto da floresta, vivia o dono do moinho com sua filha, Marina. Eles viviam com simplicidade e não tinham muito dinheiro, mas nunca reclamavam de nada. Tinham um ao outro, e isso era a coisa mais preciosa para eles.
Quando Marina foi virando mocinha, Dona Gisele começou a se aproximar do dono do moinho. Diziam que Gisele tinha levado o primeiro marido para a cova, de tanta teimosia e tanta ganância.

O pobre homem só podia trabalhar, e isso acabou prejudicando sua saúde ainda muito cedo. Por azar, Gisele acabou fazendo a cabeça do dono do moinho e se mudou para lá, junto com sua filha Hilda, alta e malvada.
“Desde que o papai esteja feliz…”, dizia Marina. Bem quietinha, ela fingia não ouvir os ataques de Gisele e Hilda contra ela. Sabia que as duas não gostavam dela, mas, por causa do pai, tentava suportar tudo. A madrasta Gisele passava o dia inteiro dando tarefas para Marina. “Vá buscar água! Traga lenha! Acenda o fogão! Arrume a despensa!” Era uma ordem atrás da outra.
Para pensar em outras coisas, Marina gostava de ir até a lagoa. Lá ela se sentava, pensava na vida e se encantava com a beleza da natureza ao redor.
Sempre que o sol começava a se pôr no horizonte, surgiam sobre a água pequenas criaturinhas brilhantes — as luzes misteriosas.
As pessoas do vilarejo acreditavam em superstições. Diziam que as luzes misteriosas eram criaturinhas malvadas, que atraíam os viajantes com suas luzinhas para fazê-los sair do caminho e entrar na floresta profunda.
Marina não acreditava nessas histórias. Ora, se fosse verdade, ela já teria se perdido faz tempo. E assim, todas as noites, ela se sentava ali e ficava olhando aquela beleza brilhante sobre a água.
“Hilda, venha aqui!”, gritou Gisele um dia. “Essa Marina só vive me atrapalhando! Está na hora de me livrar dela. O lago está cheio de luzes misteriosas. Já é hora de elas levarem a menina para bem longe, lá nas profundezas da floresta. Assim, o dinheiro do dono do moinho ficará só para nós”.
“Tá, mamãe, mas o que você está planejando?” perguntou Hilda. “Ela não é tão boba a ponto de ir sozinha para a floresta”. Gisele ficou pensando por um instante. Então um sorriso maldoso apareceu em seu rosto.
“Marina, tenho uma tarefa para você. O papai não está bem. As costas dele estão doendo muito. Ele precisa, com urgência, de uma pomada que só a curandeira de ervas da vila vizinha sabe preparar”. Gisele sabia muito bem que Marina não conseguiria fazer o caminho de ida e volta em um único dia. Ela tinha certeza de que a menina voltaria já de noite e que as luzes misteriosas a fariam sair da estrada e entrar na floresta. Assim, Marina nunca mais voltaria para casa.
Marina se assustou ao ouvir aquilo. Ficou com medo de que o papai estivesse realmente passando mal. Naquele momento, a única coisa que ela queria era ajudá-lo. Então embrulhou um pedaço de pão, colocou na sacola e seguiu pela floresta rumo ao vilarejo.
O caminho era longo. Pouco antes de anoitecer, Marina finalmente chegou à vila e foi procurar a curandeira. A senhora lhe deu tudo o que ela precisava, e Marina logo começou o caminho de volta.
“Já está anoitecendo”, pensou Marina. “Eu conheço o caminho, mas no escuro tudo fica diferente. E dá muito medo”. Mesmo assim, ela não tinha escolha. Precisava atravessar a floresta para voltar para casa. Assim que entrou na mata, uma escuridão profunda a envolveu. Assustada, Marina seguiu devagar pela trilha.
De repente, ela viu. Bem à sua frente, havia muitas luzinhas bonitas dançando no ar. “Vocês vieram me mostrar o caminho, minhas queridas luzes misteriosas!”, gritou Marina. De tanta alegria, quase chorou.
Durante quase toda a noite, Marina seguiu aquelas pequenas luzes dançantes. Quando finalmente chegou ao moinho, Gisele e Hilda estavam à porta e olharam para Marina com enorme espanto. Ela voltou muito cansada, é verdade. Mas voltou viva.
Quando o dono do moinho descobriu que Gisele tinha mandado sua filha para atravessar a floresta no meio da noite — e que tudo fazia parte de um plano cruel — expulsou Gisele e Hilda do moinho na mesma hora.
As luzes misteriosas podem, sim, fazer alguém se perder do caminho, de um jeito que depois ninguém mais encontra. Mas existe um segredo: se você tem o coração puro, as luzes misteriosas nunca vão machucar você.
E o coração de Marina era o mais puro de todos. Por isso, naquela noite, as pequenas luzes brilhantes mostraram a ela o caminho de casa.