Era uma vez, numa pequena aldeia, uma casinha perto da floresta. Nela morava uma alegre família: mamãe, papai e sua filhinha Dora. Às vezes, Dora ficava triste por não ter irmãos e não ter com quem brincar. Não havia muitas crianças pela vizinhança e, quando a mamãe estava ocupada com alguma tarefa e o papai estava no trabalho, ela ficava sozinha com seus brinquedos.
Em uma ensolarada manhã, mamãe precisava cozinhar e Dora saiu correndo para o jardim, pensando em andar de triciclo ou brincar no balanço que o papai havia pendurado perto de casa. Mas, quando já estava no jardim, ouviu um choro. Parecia o miado de um gatinho.

Dora não conseguiu ignorar aquele som e deu a volta pela casa. Quando parou ao lado do galpão, encontrou, debaixo de uma cadeira velha, uma gatinha preta, de patinhas brancas. Ela olhou para Dora com seus olhinhos e miou.
“Você está tão sujinha! E certamente deve estar com fome. Mas eu vou ajudar você, e nós podemos ser amigas”, disse Dora.
A gatinha, como se tivesse entendido, chegou um pouquinho mais perto dela. Dora a pegou nos braços e a levou até o poço, onde havia água no balde para lavá-la. A gatinha se contorcia e miava quando sentia a água em seu pelo.
“Você não gosta de água, não é mesmo? Mas preciso limpar você”, disse Dora. Depois do banho, a gatinha tratou de se secar o mais depressa possível. Ela se esticou sobre uma pedra, onde o sol brilhava mais forte. O sol aquecia seu pelo molhado, e aos poucos a gatinha foi parando de tremer.
Dora se sentou ao lado dela e sussurrou baixinho: “Não tenha medo, agora você está segura”.
A gatinha abriu um olho, depois o outro, e ronronou bem baixinho. Era um ronronar tão meigo que o coração de Dora até saltou de alegria.
“Vou te chamar de Mia!”, decidiu ela.
A gatinha, como se concordasse, levantou-se, espreguiçou-se e roçou de leve em sua mão. Dora se lembrou de que a gatinha certamente estava com fome. Então entrou bem quietinha na cozinha.
“Dora, onde você estava?”, perguntou a mamãe, mexendo a sopa.
“No jardim, mamãe”, respondeu Dora, pegando depressa um pouquinho de leite da geladeira.
Seu coração batia depressa, pois ela sabia que talvez a mamãe ficasse zangada. Ela correu de volta ao quintal e colocou uma tigela de leite diante de Mia. A gatinha primeiro cheirou o leite com cuidado e depois começou a beber com fome.
Desde aquele dia, Dora passava todo o seu tempo livre com Mia. As duas brincavam de esconde-esconde entre as árvores. Mia corria atrás das folhas e, à noite, adormecia tranquila nos braços de Dora. Dora já não se sentia mais sozinha.
Numa tarde, porém, a mamãe percebeu pequenas patinhas molhadas no chão.
“Dora, temos visita?”, perguntou suavemente.
Dora estava no chão do quarto, com Mia nos braços. Seus olhos estavam cheios de preocupação. “Mamãe, eu a encontrei perto do galpão. Ela estava suja e sozinha. Eu só dei um banho nela e um pouco de leite. Por favor, não fique brava. Ela não tem ninguém e eu, muitas vezes, fico sozinha também”, falou baixinho.
A mamãe ficou pensativa por um momento. Olhou para a gatinha, que, naquele instante, se aninhou junto de Dora e ronronou baixinho. Depois, percebeu que Dora sorria com uma sinceridade que já não via há muito tempo.
A mamãe se ajoelhou ao lado das duas e acariciou a cabeça de Mia. A gatinha lambeu o dedo dela e ela disse: “Parece que vocês duas já ficaram amigas, mas cuidar de um gatinho não é brincadeira. Você vai dar comida, limpar o potinho e ajudar a cuidar dela?”.
Dora concordou com entusiasmo: “Vou! Prometo!”
Nesse momento, a porta se abriu e o papai chegou do trabalho. Quando viu aquela pequena bolinha de pelos, primeiro ergueu as sobrancelhas, mas depois caiu na risada: “Ora essa, temos uma nova integrante na família?”
A mamãe sorriu e respondeu: “Se Dora cumprir sua promessa, Mia pode ficar”.
Dora pulou de alegria. Abraçou forte a mamãe e o papai e depois aconchegou Mia com cuidado junto de si. E assim, na pequena casinha perto da floresta, passaram a morar quatro patinhas miúdas e um ronronar satisfeito. Dora nunca mais ficou sozinha, porque encontrou uma amiga que gostava dela exatamente como ela era. E Mia encontrou um lar. E assim, as duas viveram felizes juntas.