Em uma floresta muito profunda, além de três grandes montanhas e vales, vivia uma família de lobos: o pai, a mãe e o pequeno lobo Fernandinho.
Fernandinho era curioso e cheio de energia, o que às vezes deixava seus pais bem cansados. Ele adorava explorar tudo o que não conhecia e, não raro, acabava se perdendo um pouco. E foi justamente numa dessas aventuras que a nossa história aconteceu.

Ao anoitecer, a mãe loba colocou o filhote para dormir. Fernandinho se mexia, rolava de um lado para o outro, mas o sono não vinha. Logo percebeu que seus pais já estavam dormindo profundamente, e uma ideia travessa surgiu em sua cabeça:
“Se não consigo dormir, vou dar um passeio pela floresta. Quem sabe não encontro novos amigos?”
E, assim, saiu da toca rumo à floresta.
As trilhas da floresta pareciam diferentes à noite. O silêncio tomava conta de tudo, interrompido apenas pelo canto dos grilos na grama alta. As cores tinham desaparecido, e a escuridão reinava, iluminada apenas pelas estrelas e pela lua clara, que guiavam o pequeno lobo.
De repente, um ruído numa árvore o fez estremecer. Quase uivou de susto, mas percebeu que era apenas uma estranha ave, de olhos enormes que brilhavam no escuro.
“Quem é você? Nunca a vi na floresta!”, perguntou Fernandinho.
“Sou uma coruja. Durmo de dia e voo à noite. Ninguém nunca lhe falou de mim?”, espantou-se a coruja.
Fernandinho balançou a cabeça.
“Não… mas seus olhos são enormes, e suas asas, tão bonitas!”
“Meus olhos grandes servem para enxergar bem na escuridão.”, explicou a coruja com paciência.
“Eu sou o Fernandinho. E você, como se chama?”, perguntou o lobinho.
“Elisa”, respondeu a coruja, sorrindo.
Nesse instante, outras criaturas chegaram voando e se penduraram de cabeça para baixo no galho. Fernandinho arregalou os olhos.
“O que é isso? Que bichos esquisitos são esses?”
A coruja explicou:
“São morcegos. Eles se escondem do sol durante o dia, porque não enxergam bem na luz. Mas à noite saem para caçar e se alimentar.”
Fernandinho achou aquilo tudo muito estranho e fascinante ao mesmo tempo.
“Mas diga-me, Fernandinho… o que faz aqui fora tão tarde?”, perguntou Elisa.
O lobinho baixou a cabeça e respondeu:
“Não conseguia dormir… então saí para caminhar um pouco.”
A coruja falou com doçura:
“Sua mamãe deve estar preocupada. É melhor voltar para casa. Mas não se preocupe, se sair outra vez, estaremos aqui. Podemos ser seus amigos noturnos.”
Fernandinho sorriu e concordou:
“Está bem, obrigado, Elisa. Até breve, amigos!”
E voltou correndo para a toca.
Mamãe loba já o esperava, aflita, mas aliviada por vê-lo são e salvo. Ela o perdoou pela travessura e o ouviu contar animado sobre seus novos amigos da noite.
E dizem que, até hoje, sempre que Fernandinho se aventura sob a lua, encontra Elisa e os morcegos, seus companheiros da floresta noturna.