Na estação dos bombeiros, tudo estava tranquilo. A noite de plantão seguia calma. Eles estavam sentados à mesa, terminando o chá e conferindo os equipamentos que limpariam na manhã seguinte, quando o dia clareasse.
Lá fora, o vento soprava, mas dentro da estação estava quentinho e aconchegante, do jeitinho que eles gostavam.

Mas a tranquilidade não durou muito. De repente, o alto-falante anunciou que havia fumaça no pomar de macieiras. Em segundos, todos se levantaram. Com movimentos que já tinham treinado muitas vezes, começaram a agir rapidamente. Tudo era organizado, como se fosse uma dança ensaiada. Vestiram as calças especiais, a jaqueta, o capacete e as luvas. Conferiram as mangueiras e logo as portas da garagem se abriram. O caminhão partiu rumo ao pomar.
Assim que chegaram ao portão de entrada, os bombeiros sentiram um leve cheiro de fumaça. Não parecia um incêndio grande, mas havia algo errado. O caminhão parou, e eles seguiram em direção à fumaça.
Entre as macieiras, perto de um quiosque, encontraram um barril velho cheio de galhos que alguém não tinha apagado direito. A madeira ainda estava fumegando.
Dois bombeiros pegaram a mangueira e começaram a jogar água. Ela chiou ao tocar as partes quentes, e as pequenas chamas logo desapareceram. Outros bombeiros espalharam os galhos para ter certeza de que não havia mais nada aceso por baixo. Trabalharam em dupla: um iluminava, o outro verificava as cinzas. Só pararam quando tiveram certeza de que estava tudo apagado.
Mas a fumaça ainda estava espalhada entre as árvores. No fundo do pomar, quase não dava para enxergar. Foi então que viram alguns cervos. Eles estavam juntinhos, na beira do caminho, assustados com tanta fumaça.
Os bombeiros caminharam devagar e falaram baixinho, para não assustá-los ainda mais. Eles conheciam a clareira onde os cervos costumavam ficar. Então, com calma, começaram a guiá-los na direção certa. Depois de alguns instantes, os cervos pareceram entender que estavam sendo ajudados. Viraram-se e seguiram de volta para sua clareira. Quando desapareceram entre os galhos, os bombeiros souberam que tinham feito o que precisava ser feito.
Enquanto isso, a lua começava a aparecer no céu escuro. Os bombeiros voltaram para o caminhão, enrolaram as mangueiras, fecharam o hidrante e conferiram se não tinham deixado nada para trás. As folhas de outono faziam barulho sob seus pés, e o pomar agora parecia calmo e seguro outra vez.
Naquela noite, eles não enfrentaram um grande incêndio. Mas talvez tenham evitado que um começasse. E ainda ajudaram os cervos a voltar para um lugar seguro. Isso também faz parte do trabalho de um bombeiro.
Quando voltaram para a base, já pensaram em um chá quentinho e em um merecido descanso.