Espreitadores – O que os espreitadores fazem quando está calor

Nem mesmo o velho Hugo se lembrava de um verão tão quente. No porão, a temperatura subiu dois graus e ele já estava procurando uma tesoura para fazer um corte de verão em seu pelo. Mas e quanto a nós, que moramos no último andar do prédio?

Minhas amadas crianças foram com os pais para o campo, perto da água, a Senhora Simone tirou férias e foi para as montanhas, e o Senhor Carlos comprou um sorvete, que o Sardento roubou e comeu, fazendo com que o Senhor Carlos tivesse que sair para comprar outro.

Histórias curtas para crianças - Espreitadores – O que os espreitadores fazem quando está calor
Espreitadores – O que os espreitadores fazem quando está calor

O prédio estava deserto e tão quente que nem à noite conseguíamos dormir bem.

“E se fôssemos para a água também?”, pensou Sardentinho uma tarde, enquanto se revirava na cama e bufava de calor. 

“Os espreitadores do prédio nunca viajam para fora desse edifício”, recitei uma lição da escola.

“Eu não disse que iríamos a algum lugar. Não vamos colocar nem uma pata para fora do prédio. A Senhora Simone tem um mar em casa e eu acho que é hora de sairmos de férias.”

“Mar? Como ela poderia ter um mar no apartamento?”, perguntei confuso. 

Mas Sardento sorriu, como se tivesse engolido toda a sabedoria do mundo (até então tinha sido só sorvete), e me acenou para que eu o seguisse. 

Ziguezagueamos pelos corredores até o apartamento da Senhora Simone. Sardento liderava com experiência e logo nos encontramos no mar. Mas era um mar meio quadrado, nas imagens dos livros que eu já vi, ele parecia um pouco diferente. 

“Vou dar um salto, observe”, disse Sardento com orgulho. Ele subiu no armário, ficou na beira daquela grande caixa transparente cheia de água e deu um salto elegante. 

Sardento caiu na água com um splash, fazendo com que um pouco de água transbordasse e molhasse o tapete.

“Vamos lá, venha experimentar como é a água”, me chamou enquanto nadava naquela piscina estranha.

Então eu também subi e cuidadosamente molhei uma pata na água.

“Está molhada”, eu disse. “Mas é agradável.”

“Então venha logo atrás de mim.” 

Sardento respirou fundo, prendeu a respiração e mergulhou. Ele desapareceu em algum lugar sob a superfície entre as plantinhas verdes e as pedrinhas decorativas. 

Eu pulei para dentro d’água. Splash! Uau, foi agradável. Imediatamente começamos a brincar de pega-pega, espirrando água um no outro, quando, de repente, algo se esfregou em mim. 

“O que foi isso?”

“Provavelmente uma planta, o que mais poderia ser?”, disse Sardento com um aceno de mão.

“Não era uma planta. Era algo vermelho.”

“Então deve ser um peixe. Eles também estão no mar.”

Escalei até a borda do mar quadrado. Olhei para a água para ver se conseguia ver os tais peixes. Mas Sardento estava batendo na água e fazendo ondas, então era difícil ver o fundo. De repente, Sardento gritou.

“Ai! Algo mordeu meu rabo!”

Em um instante, ele estava em cima da cômoda ao lado do tal mar, girando em círculos, tentando proteger seu rabo. Tinha um peixe laranja-avermelhado mordendo-o. 

“Aguenta aí, vou tirar isso para você.”

Rapidamente, pulei até ele e peguei o peixe com os dentes. Estava molhado e salgado. Eca! Imediatamente cuspi ele de volta no tal mar.

“Você está inteiro?” 

Sardento deu mais uma olhada no seu rabinho e então acenou com a cabeça.

“Que azar. A velha deve ter comprado umas piranhas. Acabou com o nosso banho.”

“Que pena, essas pestinhas molhadas. Mas foi bem refrescante”, concordei enquanto observava o cardume de peixinhos mordedores se juntar e mostrar os dentes para nós.

“Ninguém mais aqui no prédio tem um aquário”, disse Sardento tristemente.

“Aquário? O que é isso?”

“É o nosso mar, bobinho. Vamos, vamos lá nos refrescar na geladeira.”

E então fomos nos refrescar na geladeira. Não foi ruim, mas devo admitir que quando nos mudamos para a geladeira do Senhor Carlos foi melhor. Ele tinha muitas guloseimas lá. Com a barriga cheia e refrescados, nos enrolamos na caminha, onde dormimos muito bem.

No dia seguinte, esfriou bruscamente e o calor se encerrou com sucesso. A Senhora Simone voltou das férias e repreendeu seus peixinhos em voz alta, dizendo que, durante sua ausência, eles espirraram e derramaram metade do aquário no tapete, que agora terá que ser jogado fora. O Senhor Carlos foi prontamente ajudá-la a enrolar o tapete e levá-lo para fora. 

O grande resfriamento fez com que a temperatura no porão caísse uns cinco graus abaixo do normal. Então nosso velho Hugo tremia como uma folha. Ele já tinha se tosado. E exagerou um pouco, parecendo um daqueles cachorrinhos pelados.

Para que ele não pegasse um resfriado, fomos com Sardento até o sótão, desenterramos um velho suéter para filhotes, com desenhos de renas, árvores e flocos de neve, e vestimos Hugo com ele. Eu gostaria que você visse. Ele parecia um gato espantado debaixo da árvore de Natal. Ainda rimos sobre isso de nossas caminhas.

Então, boa noite, crianças. E nem pensem em nadar num aquário. Ou, pelo menos, descubram antes que tipo de peixes vivem lá, para não acabarem como Sardento.

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