Era uma vez um dragãozinho chamado Foguinho. Ele crescia forte e saudável, vivia feliz e não lhe faltava nada. Comia bastante, dormia bem e, quando ficava entediado, saía voando da caverna onde morava com sua mamãe dragão e ia até o reino vizinho para assustar as pessoas. Ele achava muito divertido ver todo mundo correndo de um lado para o outro. Depois disso, voltava contente para a caverna.
Mas a mamãe dragão não estava nada contente com a vida que Foguinho levava. Um dia, ela falou bem sério: “Foguinho, já está na hora de você se casar!”. Mas ele ficou bravo: “Eu não vou me casar de jeito nenhum! Para que eu preciso de uma esposa?”. A mamãe balançou a cabeça e respondeu: “Não será qualquer uma. Vamos escolher uma princesa, a mais bonita e a mais rica”. Foguinho fez cara feia e disse: “Eu não quero princesa nenhuma! Elas comem tudo, não arrumam a casa e vivem chorando. No fim, sempre aparece um príncipe para salvá-las e cortar a cabeça do dragão. Isso já aconteceu com um amigo meu. Me deixe em paz, mamãe. Prefiro ficar solteiro!”.

Para Foguinho, a conversa tinha terminado. Mas para a mamãe dragão, não. Então ela começou a procurar uma noiva para ele. Logo, a caverna ficou cheia de retratos de princesas de reinos de todo o canto. A mamãe mostrava listas com qualidades, defeitos e até a riqueza de cada princesa. Mas o dragãozinho não queria escolher ninguém.
Ele estava tão triste que já não tinha vontade de assustar as pessoas, nem de comer ou dormir. Passava os dias longe da caverna, sentado à beira de um grande lago, suspirando. As pessoas iam até lá só para vê-lo. No começo, riam do dragão triste. Depois, começaram a sentir pena dele. “Se ele não quer se casar, por que estão obrigando?”, diziam.
Mas a mamãe dragão não desistia. “Todo dragão precisa de uma esposa. Se você não escolher uma princesa, eu escolho por você!”. E foi exatamente isso que ela fez. Escolheu uma noiva feia, baixinha e bem diferente das princesas dos livros, mas muito rica. Quando Foguinho soube da decisão, ficou ainda mais triste.