No dia em que os alunos iam receber o boletim do semestre, no meio do ano, Joãozinho sentiu uma forte dor de barriga. Mas será que era dor mesmo ou apenas medo? Ele sabia que tinha tirado nota quatro em matemática e não contou nada aos pais.
Joãozinho inventou várias desculpas para não ir à escola. Disse que estava passando mal e pediu para ficar em casa. Mas seus pais não acreditaram. Disseram que ele precisava buscar o boletim e que, depois do almoço, o levariam ao médico.

Sem escolha, Joãozinho foi para a escola. Pegou o boletim e ouviu com atenção o que a professora falou. Ela explicou que ele precisava estudar mais, fazer mais contas e prestar mais atenção nas aulas. Também disse que ele ainda podia melhorar a nota até o final do ano. Mesmo assim, Joãozinho ficou muito preocupado. Pensava na bronca que levaria em casa, imaginava que os pais poderiam tirar o celular, cancelar o futebol e até colocá-lo em aulas de reforço. Tudo isso parecia assustador demais!
No caminho de volta, Joãozinho andava bem devagar. Pensou que talvez fosse melhor demorar um pouco para chegar em casa. Assim, os pais ficariam preocupados e esqueceriam da nota ruim. Então, ele se escondeu em um prédio abandonado, no fim da vila, e resolveu esperar.
O tempo passou devagar. Joãozinho sentiu frio, fome e muito tédio. Ele se perguntava quando os pais começariam a procurá-lo. De repente, ouviu barulhos estranhos vindo do andar de cima do prédio e se lembrou das histórias que os colegas contavam sobre fantasmas. Assustado, Joãozinho saiu correndo o mais rápido que pôde e foi direto para casa. Afinal, nenhuma bronca e nenhuma aula extra de matemática eram piores do que encontrar fantasmas!
Ao chegar em casa, entrou ofegante e com o coração disparado. Olhou para o relógio e percebeu que não tinha ficado fora nem meia hora. Seus pais ainda nem tinham chegado do trabalho. Foi então que Joãozinho levou a mão à testa e arregalou os olhos: “Minha mochila!”. O boletim tinha ficado lá no prédio abandonado!