Martina e as gotinhas falantes

Cada época do ano tem algo especial. No outono, por exemplo, as folhas começam a cair, o vento fica mais forte e chove com mais frequência. Algumas crianças não gostam do outono justamente por causa da chuva. Mas outras sabem aproveitar esse tempo, como a Martina.

Ela é uma menina loirinha, de tranças, olhos azuis e um sorriso exuberante. Mesmo já sendo grandinha, ela adorava pular em poças d’água. Por isso, quando chovia, ela ficava feliz. Mas nem sempre foi assim.

Contos para dormir - Martina e as gotinhas falantes
Martina e as gotinhas falantes

Quando Martina era pequena, ela não gostava de água. Certo dia, na hora de ir embora da creche, começou a chover lá fora. Martina ficou parada na porta, com uma carinha emburrada, sem querer dar um passo. “Mamãe, você não trouxe guarda-chuva? Nem capa de chuva?”, resmungou. “Não, meu amor, não trouxe. Vamos correr rapidinho”, disse a mãe, sorrindo. Mas Martina não queria sair de jeito nenhum.

De repente, ela ouviu algo estranho: “Uhuuul! Que divertido! Splash! De novo! Splash! Viva!”. “O que é isso?”, perguntou Martina. “O quê? Eu não ouvi nada”, respondeu a mãe, confusa. Mas Martina ouvia claramente: “Isso é incrível! Estou caindo! Estou voando! Splash!”. 

Ela olhou ao redor, surpresa. Tinha certeza de que não estava imaginando. Olhou bem para a chuva… e então viu. As gotinhas que caíam no chão estavam se divertindo! Uma, depois outra, depois outra. Sempre que caíam, gritavam: “Que legal! Estou voando! E já vou espirraaaar! Uhul!”. 

Martina ficou olhando para a chuva, curiosa. Estendeu a mão e uma gotinha caiu bem na sua palma. A gotinha rolou pela mãozinha e, quando parou, perguntou: “Martina, por que você não gosta da chuva? É tão gostoso espirrar água por aí, pular nas poças, cair no chão e fazer Splash para todos os lados! É divertido! E além disso, a chuva é importante. Sem ela, tudo secaria. A grama, as flores, e os bichinhos ficariam sem água. É bom quando chove de vez em quando”. 

“Então eu não estava sonhando? Você está mesmo falando? E as outras gotinhas também?”, perguntou Martina, espantada. “Sim, estou falando. E sim, várias de nós falamos. Mas só as crianças conseguem nos ouvir. Os adultos não conseguem mais”, respondeu a gotinha. “Entendi. Mas será que é mesmo divertido pular em poças? Eu sei que a água é importante, mas eu não gosto de ficar molhada…”, pensou a garota. “Tenta, Martina. Aproveita a chuva. Ela também pode ser bonita. Quando sua mamãe deixar, molhe-se um pouco e veja como é. Jogue água para todos os lados!”, disse a gotinha, rolando para o chão.

Martina ficou pensando. Talvez valesse mesmo a pena tentar. As gotinhas pareciam tão felizes, e ela também queria ficar assim. Então agachou-se na porta da creche e colocou a mão na poça devagar, fazendo um “Splash” bem tímido. Ela achou aquilo engraçado e sorriu. A mãe, vendo a cena, ficou surpresa: “O que você está fazendo, meu amor?”. “Estou testando como é molhar e espirrar água. As gotinhas disseram que é legal. Disseram para eu tentar”, explicou Martina. 

A mãe sorriu. “As gotinhas disseram, é? Então, se as gotinhas falaram, temos que testar de verdade!”. E deu um pulo enorme na poça, fazendo a água voar para todo lado. Martina ficou de boca aberta. “Ora, você achou que eu não soubesse brincar? Eu também sei aproveitar a chuva! Não tem problema se a gente se molhar. Em casa a gente seca e troca de roupa. Nem está frio! Hoje é um ótimo dia para ouvir as gotinhas. Venha, minha menina. Quero ver você se divertir!”, disse a mamãe. 

Quando Martina viu a mãe pulando na poça e cantando na chuva, perdeu o medo na hora. Correu para fora e começou a pular também. Brincou, dançou, se molhou todinha. E ria sem parar. Ao seu redor, as gotinhas gritavam: “Isso mesmo! Olha para mim! Estou voando!”. Depois daquele dia, Martina passou a adorar a chuva e até ficava esperando por ela! Quando via as primeiras gotinhas caindo, logo perguntava: “Mamãe, já posso brincar na chuva?”. E, quando a mãe dizia sim, Martina corria lá para fora e dançava com as gotinhas felizes.

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