
Histórias para Dormir
O mecânico habilidoso
O Patrick era um menino pequeno, que morava com o pai numa casinha aconchegante. Eles tinham uma oficina grande, com uma placa em cima: “O melhor mecânico da cidade”. É que o pai do Patrick consertava carros.
Vinha gente da região inteira, porque ele entendia de quase tudo quanto é conserto de carro. O Patrick vivia olhando o pai trabalhar e aprendendo com ele. Mesmo pequeno, ele era muito jeitoso e já sabia consertar um monte de coisas sozinho.
Uma manhã, quando o Patrick estava tomando café com o pai, eles ouviram um carro quebrado chegando. O motor fazia um barulho como se estivesse tossindo. Olharam pela janela e viram uma fumaça preta saindo do escapamento. O carro inteiro pulava e dava solavancos. O Patrick e o pai foram lá fora receber o moço do carro.
O moço parou bem na porta deles e começou a explicar: “Bom dia! Por favor, me ajudem. Eu não sei o que deu no meu carro. Eu trabalho levando gente pela cidade com ele, e agora ele fica assim. Não quer andar. Fica dando tranco. Solta fumaça preta pelo escapamento. Não sei mais o que fazer”. “A gente vai dar uma olhada”, garantiu o pai, e levou o carro para a oficina.
Ele passou o dia inteiro mexendo no carro. Olhou de tudo quanto é lado, mas não conseguia descobrir o problema de jeito nenhum. Por que o carro andava tão mal? O papai estava chateado e não parava de pensar no que podia ser. Parecia que estava tudo certinho. Não fazia sentido nenhum.
No dia seguinte, o Patrick acordou bem cedinho, enquanto o pai ainda dormia. Tinha decidido levantar ainda no escuro e ir até a oficina para ajudar o pai. Olhou para o carro e tentou descobrir o que ele tinha. Deu várias voltas em torno dele, bateu de leve em todas as partes, olhou embaixo do capô e examinou o motor. Nada quebrado, nada estragado. O Patrick sentou no chão ao lado do carro, pensativo. “O que é que você tem, amigão? Você está escondendo alguma coisa de mim! O que está te incomodando? Por que você não quer andar? Deve ter algum motivo”, disse o menino, pensando em voz alta.
“Eu não quero mais levar gente estranha”, disse uma voz na oficina. O Patrick deu um pulo e ficou olhando para o carro de boca aberta. Chegou mais perto, pôs a mão no carro e perguntou: “Você fala?”. “Falo. Vou te contar o que está acontecendo comigo. Mas, por favor, não conta para ninguém que eu sei falar”, pediu o carro. O Patrick fez que sim com a cabeça na mesma hora.
E aí o carro começou a falar: “Eu não quero mais levar gente estranha. O meu dono é bonzinho e cuida bem de mim. Só que ele ganha a vida levando gente para tudo quanto é canto da cidade: para o aeroporto, para a estação, para festa, para todo lugar. E o pessoal gruda chiclete em mim, joga lixo, suja os bancos… E eu já estou cansado e triste com isso. Por isso eu finjo que não consigo andar. Para o meu dono nunca mais levar nenhum estranho comigo!”.
O Patrick ouviu tudo e ficou pensando num jeito de resolver aquilo. Ele sabia que aquilo deixava o carro triste, mas também sabia que o dono precisava do trabalho. De repente, teve uma ideia. Pegou uma folha grande de papel e escreveu: “Estragou? Paga multa alta e desce do carro!”. Com todo o cuidado, colou o aviso no carro, num lugar onde todo mundo pudesse ver e ninguém conseguisse tirar.
“Isso deve ajudar. Todo mundo que entrar em você vai ler o aviso. E, se alguém fizer sujeira, é só parar, abrir a porta e mandar a pessoa descer. Assim todo mundo vai lembrar que tem que te tratar direitinho. E eu vou dizer para o seu dono que a placa não pode ser tirada, que eu te programei desse jeito e que gente mal-educada vai ter que descer na hora”. O carro ficou contente, agradeceu ao menino e mal podia esperar o dono vir buscá-lo, para mostrar como ele andava bem.
O pai do Patrick até hoje não sabe o que o carro tinha de verdade. Mas ficou todo orgulhoso de ver o carro andando de novo sem nenhum problema. E o Patrick? Ele tem orgulho de saber, desde pequenininho, o que se deve e o que não se deve fazer.
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