Era inverno, estava tudo coberto de neve e fazia muito frio. Bubizinho e Dentilda estavam fazendo um boneco de neve no jardim.
“Bubizinho, você é um bobão”, murmurou Dentilda, olhando para o lugar onde ele havia colocado o boneco. “Assim o papai não vai conseguir sair para o trabalho.”

“Hehehe”, riu Bubizinho, colocando uma panela na cabeça do boneco de neve. “Pode apostar. Por que você acha que eu coloquei bem na saída da garagem? Assim ele já entra no clima, hehehe.”
Dentilda deu de ombros e foi procurar um galho para o cabelo do seu boneco de neve. O boneco dela, na verdade, era uma boneca. Ela se aproximou de um arbusto ao lado do galpão.
“Olha, Bubizinho, que coisa linda!”, exclamou Dentilda, apontando para os pingentes de gelo que enfeitavam o telhado.
“Uau, olha só isso!”
Bubizinho se animou e correu para pegar um pingente de gelo. O telhado era baixinho, então ele conseguiu arrancar um com facilidade. Primeiro tentou experimentar, mas não tinha sabor nenhum. Depois, balançou o pingente na mão e gritou bem alto para toda a Cidade do Medo:
“Eu sou o Feiticeiro da Neve e do Gelo! E todo mundo que se cuide, porque com esse pingente mágico vou transformar vocês em gelo!”
“Se você não estiver mentindo…”, resmungou Dentilda.
“Agora mesmo vou transformar você, sua fantasminha atrevida, em um boneco de neve! No meu comando, com o pingente de gelo na mão, vire um boneco de neve!”
Bubizinho balançou o pingente, mas nada aconteceu.
“Quer ver uma magia melhor, seu Feiticeiro?”, perguntou Dentilda.
“Qual?”
“Então venha pra casa e traga esse seu pingente mágico também.”
Em casa, tiraram os casacos e as calças quentinhas. Dentilda trouxe uma panela.
“Então, Feiticeiro da Neve e do Gelo, ponha o pingente aqui!”, disse Dentilda.
Bubizinho colocou o pingente de gelo na panela.
“Olha só, isso sim é magia. Pingente de gelo na panela”, resmungou depois de um tempo.
“Toda magia leva um tempinho, Bubizinho.”
“Feiticeiro da Neve e do Gelo, você quis dizer…”, corrigiu ele.
“Mais para Feiticeiro das Águas. Olha só!”, disse Dentilda, apontando para a panela.
O pingente de gelo tinha virado água.
“Que nada, eu sou Feiticeiro do Gelo e da Neve! Esse é o meu pingente de gelo!”, resmungava Bubizinho, mexendo as mãos na água e tentando pegá-la.
“Você não pode pegar a água, ela é líquida!”, disse Dentilda.
“Não é verdade, há pouco ela estava dura.”
“E pode até virar vapor!”, falou o pai, que já os observava da cozinha.
“Como assim?”, se espantou Bubizinho.
O pai pegou a panela, colocou no fogão e girou o botão. Depois de um tempo, a água começou a ferver e sair vapor. Logo, quase não restava nada na panela.
“Meu pingente de gelo! Sumiu! Foi você que fez ele desaparecer?”, Bubizinho se assustou.
“Ele não sumiu. Só virou vapor!”, explicou o pai.
“Vapor? E pra onde foi?”
“O vapor sobe lá para cima. Toda água evapora. Água do mar, do lago e da panela. Esse vapor sobe, forma nuvens e depois volta em forma de chuva. Se você deixar a panela no sol, a água evapora de novo. Isso se chama ciclo da água; não tem mágica nenhuma, pequeno Feiticeiro.”
“Mas pingentes de gelo não caem do céu. De onde eles vieram?”, perguntou Bubizinho.
“A água tem três estados: sólido, líquido e gasoso. O sólido é o seu pingente de gelo. É água que congelou e virou gelo.”
“Eu conheço isso! Mamãe faz cubos de gelo no congelador quando prepara água gelada com limão no verão”, lembrou Bubizinho.
“Sim, isso é água congelada. E até água congelada pode cair do céu.”
“Claro”, disse Dentilda. “Como neve ou granizo.”
“Sim, quando a chuva esfria demais nas nuvens, no inverno vira neve, e no verão vira granizo”, disse o pai.
“Então, se eu quiser pegar água com as mãos, preciso deixá-la congelar antes?”, quis saber Bubizinho.
“Sim, porque a água líquida não tem uma forma certinha”, explicou o pai. “Na xícara, ela toma a forma da xícara; nas mãos, toma a forma das mãos. E com esse formato, ela pode até congelar.”
“Nossa, então vou ser um feiticeiro das águas, já que dá pra fazer tanta mágica com ela!”, comemorou Bubizinho. Ele logo pegou um pouco de água numa forminha para congelar do lado de fora.
Dentilda foi para o congelador, com vontade de tomar sorvete. O pai, por enquanto, preferiu preparar um chá bem quentinho. Ainda haverá muito tempo para o sorvete neste inverno.