Pequenos passarinhos

Era uma vez um passarinho preto, com penas escuras como o céu da noite, mas com um rabo que brilhava em vermelho. Esse passarinho construiu seu ninho em um lugar especial: debaixo do telhado da varanda da casa onde vivia uma família bondosa. 

Com pedacinhos de palha, grama, folhas e barro, ele criou um ninho quentinho e acolhedor. Todas as manhãs, ele cantava suavemente e saudava a família com sua voz, dando boas-vindas a um novo dia.

Contos curtos para crianças - Pequenos passarinhos
Pequenos passarinhos

Com o tempo, a família percebeu que o passarinho estava sentado sobre alguma coisa. Foi então que descobriram que ele protegia seus delicados ovinhos. O papai passarinho trazia todos os dias pequenos insetos e besouros para a mamãe, enquanto ela, pacientemente, aquecia e protegia os ovos.

Até que, numa manhã ensolarada, algo mágico aconteceu: três pequenos passarinhos nasceram! A família observava tudo com alegria, e também com um pouco de preocupação. No quintal morava Ciça, a gata da casa, que não gostava muito de passarinhos.

Os filhotes cresceram rápido. Logo abriram os olhinhos, piavam para a mãe e abriam os bicos sempre que ela trazia comida. Mas um dia, dois deles caíram do ninho e foram parar no sofá da varanda. Ainda não sabiam voar; apenas cambaleavam e batiam as asinhas, tentando levantar voo.

Felizmente, Pedro, o pai da família, percebeu o que havia acontecido antes que a gatinha Ciça notasse. Com a ajuda de seu filho Mário, ele levantou cuidadosamente os passarinhos e os colocou de volta no ninho.

No dia seguinte, os três passarinhos corajosos decidiram tentar de novo. Saíram do ninho, mas, mais uma vez, acabaram caindo no chão. Pulavam, batiam asinhas e piavam, cheios de vontade, mas ainda não sabiam voar de verdade.

De repente, ouviu-se um miado familiar vindo do quintal: era Ciça. Ela avistou os passarinhos na varanda e foi se aproximando devagarinho, com aquele olhar curioso de quem tem um plano.

Por sorte, naquele momento, a pequena Suzana, irmãzinha de Mário, saiu correndo de casa e gritou:

“Ciça, não! Vá embora!”

O grito assustou a gata, que recuou para o jardim. Irritada, ficou sentada debaixo da árvore, observando enquanto Suzana, com a ajuda do pai, recolocava os passarinhos no ninho.

Mas logo o vento começou a soprar forte, e o ninho balançava perigosamente de um lado para o outro.

“Precisamos colocá-los em um lugar seguro, onde o vento não os incomode e onde a Ciça não chegue!”,  disse Suzana, preocupada.

E assim, junto com Pedro e Mário, ela ajudou a construir uma casinha nova para os passarinhos. A casinha foi pendurada no velho pé de maçã. Era segura, firme e alta o bastante para manter os filhotes fora do alcance da gata curiosa.

A mamãe passarinho voou até o novo lar, e o papai logo levou os filhotes para lá. Eles nem imaginavam o quanto aquela família havia feito por eles: se não fosse por Suzana, Pedro e Mário, Ciça talvez os tivesse apanhado, ou o ninho teria caído com o vento.

Agora, os passarinhos tinham uma casinha segura e acolhedora que era seu novo lar.

Todos os dias, treinavam o voo: primeiro de um galho para outro, depois mais alto, depois mais longe. Até que, por fim, já não caíam mais no chão.

Quando chegou o momento certo, os três voaram por cima das copas das árvores, prontos para descobrir o céu, assim como a mamãe.

Mas sempre voltavam, ainda que por um breve instante, para visitar a família que os ajudou. E cantavam lindas canções na varanda.

A família sorria, ouvindo o canto alegre daqueles pequenos amigos que aprenderam a voar.

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