Clarinha e a torre amaldiçoada

Era uma vez uma montanha muito alta e, do outro lado dela, havia uma pequena cidade. Essa cidade era governada por um soberano justo, que desejava ver seu povo contente e feliz — e conseguia. O povo vivia alegre, sempre com tudo o que precisava.

A única coisa que começou a atormentá-los, porém, foi o tempo. Já fazia meses que ninguém sabia o que fazer, pois o clima mudava de forma enlouquecida. Às vezes, fazia um calor intenso sem uma gota de chuva. Outras vezes, começava a gear e nevar de repente, mesmo sendo início do outono.

Histórias para dormir - Clarinha e a torre amaldiçoada
Clarinha e a torre amaldiçoada

O povo perdia suas colheitas, o reino corria risco de fome e até os animais não suportavam mais tanta mudança. Então, Paulinho, o filho do soberano decidiu que não ficaria parado: partiria em busca de uma solução. Talvez os reinos vizinhos soubessem algo a respeito.

E então, montou em seu cavalo e partiu. Ele subia uma montanha quando encontrou uma senhorinha coletando lenha.

“Olá!”, cumprimentou Paulinho.

“Olá para o senhor também, jovem! Para onde se dirige?”, perguntou a senhora, curiosa.

“Lá na cidade onde vivo, o povo sofre e começa a passar fome. O tempo está insuportável, destruindo colheitas e gado. Por isso, saí em busca de uma solução, para ajudar nossa terra.”, explicou Paulinho, com preocupação.

A senhora, que já tinha ouvido falar de algo parecido, deu a ele um conselho:

“Passará pela floresta além da montanha, chegará a um descampado, e lá se ergue uma torre alta. Dizem que lá vive uma fada que domina o tempo.”

Paulinho se alegrou, agradeceu e continuou a jornada. Levou alguns dias, mas finalmente encontrou a torre. Amarrou o cavalo numa árvore ao pé dela e subiu apressadamente as escadas. A torre estava toda deteriorada, e ele não sabia o que fazer.

De repente, apareceu um duende.

“Ora essa, faz tempo que ninguém aparece por aqui. Quem é você?”, perguntou.

Paulinho coçou a cabeça:

“Eu sou Paulo, as pessoas me chamam de Paulinho, e quero consertar o tempo na minha cidade, porque está se tornando uma catástrofe. E você, quem é?”

“Eu sou Nuvenzinha, e vivo aqui com a fada Clarinha, que cuida do tempo. Mas, numa certa noite, um homem sombrio destruiu nossa torre, e a fada fugiu. Você poderia, no entanto, nos ajudar!”, explicou o duende.

Paulinho sentiu pena e perguntou:

“E como eu poderia ajudar?”

Nuvenzinha se animou:

“Preciso que você traga quatro coisas: um floco de neve, um pedaço de grão, uma folha seca de árvore de bordo e um pingente de gelo. Com isso, quebraremos o feitiço de cada sala das estações, e o tempo voltará ao normal.”

Paulinho não perdeu tempo. Voltou à cidade e pediu ajuda ao povo, prometendo recompensa a quem contribuísse. Surpreendentemente, no dia seguinte, todos trouxeram ao castelo as coisas que ele precisava.

Paulinho então montou em seu cavalo e atravessou a montanha e a floresta, voltando rapidamente à torre. Chegando lá, o duende já o esperava, ansioso:

“Mas você foi rápido! Como conseguiu?”

“Não consegui isso sozinho, meu povo me ajudou que o tempo volte ao normal…”, respondeu Paulinho.

Nuvenzinha o conduziu à primeira sala:

“Coloque nesta bandeja de prata o floco de neve que trouxe.”

Paulinho fez o que lhe foi pedido. De repente, as paredes rachadas se solidificaram, e do chão brotaram flores de primavera. Na segunda sala, depositou os cereais: paredes se cobriram de folhas e flores.

Na terceira sala, colocou a folha de bordo sobre a bandeja, e do teto caíram folhas coloridas. Na última sala, depositou o pingente de gelo: o chão se cobriu de uma camada branca e sedosa, e pequenos flocos pendiam do teto.

Quando todas as salas foram desencantadas, a fada Clarinha apareceu.

“Obrigada, jovem homem. Você salvou minha torre e o mundo. Como agradecimento, cuidarei para que seu povo tenha colheitas abundantes. E, sempre que precisar, estarei aqui para ajudar. Dou-lhe também esta pedrinha encantada: sempre que precisar, basta chamar meu nome, e eu aparecerei.”, disse a fada.

Paulinho voltou para sua cidade. Uma chuva suave caiu, e logo surgiu no céu o mais belo e colorido arco-íris. Desde aquele dia, Paulinho e seu povo viveram felizes, com tudo em abundância, como a fada havia prometido.

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1 Comentário

  1. Que história magnífica!!! Meus meninos ficaram receosos por causa do título, mas depois acharam a história muito legal. ❣️

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