As três irmãs

Era uma vez três irmãs. A mais velha se chamava Rosa e não gostava nem um pouco de flores. Não gostava tanto, mas tanto, que nem queria sair da casinha. Só que isso não adiantou muito, porque sua segunda irmã, Ivete, amava flores, mas tinha um defeitinho: era preguiçosa e esquecida, então nem sempre regava as flores que trazia para casa. Já a irmã mais nova, Júlia, gostava de flores e cuidava direitinho de todas elas.

Um dia, correu pelo reino a notícia de que o jovem rei estava procurando uma linda moça para se casar. Mas essa moça precisava provar que merecia e cumprir a tarefa que lhe fosse dada.

Contos curtos para crianças - As três irmãs
As três irmãs

Rosa ficou meio indiferente à notícia da tarefa, mas mesmo assim resolveu ir ao castelo. Na mesma hora, começou a vestir os vestidos mais bonitos, arrumar o cabelo no penteado mais lindo e colocar o colar de contas mais belo de todos. Ao meio-dia, estava no castelo.

“Você está mesmo linda, Rosa”, disse o rei. “Mas isso não é suficiente. Se você me quer mesmo como marido, precisa cumprir a seguinte tarefa.”

O rei levou Rosa até um quarto onde havia muitos vasos de plantas cheios de flores lindas e coloridas. Rosa ficou enjoada quando viu tantas flores, mas o rei era tão bonito e rico que, no fim, ela não fugiu.

“Você vai cuidar dessas flores por uma semana. Se elas ficarem bonitas, você vai ser minha esposa. Mas se elas murcharem, coitada de você!”, ameaçou o rei, deixando Rosa no quartinho.

Rosa nem pensou em procurar um regador. Ela logo se jogou na cama fofinha, depois foi curtir a cozinha do rei e o enorme banheiro real, e, principalmente, adorou ver um monte de criados correndo pra lá e pra cá só pra cuidar dela, sem que ela precisasse fazer nada. Ela esqueceu completamente das flores.

Depois de uma semana, o rei foi ver as flores. Elas estavam totalmente murchas.

“Você não cumpriu a minha tarefa! Só ficou se aproveitando da minha hospitalidade. Vai acabar como as meninas que vieram antes de você.”

Assim que o rei disse isso, lá fora trovejou, relampejou, e no lugar da menina apareceu um vaso de plantas com uma rosa vermelha.

Logo depois, foi a vez de Ivete. Ela vestiu uma saia florida, um lenço florido, colocou uma coroa de flores na cabeça e partiu para o castelo.

“Você é realmente linda, Ivete”, elogiou o rei. “E vejo que você ama flores. Por isso tenho certeza de que vai cumprir bem minha tarefa.”

O rei levou Ivete até um quarto onde havia apenas flores em vasos de plantas. Sobre a mesa, uma rosa linda se destacava com seu vermelho, mas as outras flores também eram bonitas e muito coloridas.

“Você vai cuidar dessas flores durante toda a semana”, ordenou o rei. “Se elas forem bem cuidadas, você se tornará minha esposa. Mas se elas murcharem, ai de você!”

Ivete adorou as florzinhas, mas como era preguiçosa e esquecida, acabou se distraindo com outras coisas no castelo e esqueceu completamente das flores do quarto. Depois de uma semana, o rei entrou no quarto e só encontrou folhas murchas e pétalas caídas.

“Você não fez o que te pedi! É verdade que gosta de flores, mas acabou esquecendo completamente de cuidar delas. Então vire uma flor também.”

Lá fora caiu um relâmpago e trovejou, e no lugar da Ivete agora havia um vaso de plantas com um narciso todo florido.

Finalmente chegou a vez de Júlia, a mais nova. Ela foi com uma saia simples, uma blusa comum e um lenço qualquer.

“Você é muito bonita, mesmo sendo simples…”, elogiou o rei. “Mas isso não faz diferença nenhuma. Se você for esperta e cumprir minha tarefa, vai se tornar minha esposa.”

O rei levou Júlia até o quarto das flores.

“Você vai cuidar dessas flores durante toda a semana. Se conseguir, vai se tornar minha esposa. Mas cuidado, se eu encontrar as flores murchas, você vai se dar mal.”

Júlia pegou o regador, encheu de água e regou as flores com muito carinho. Quando os empregados ofereciam para ela descansar nos banhos reais, ela recusava e preferia afofar a terra das plantinhas e adubar. Quando os jardineiros a convidavam para passear pelos jardins do rei, ela recusava e preferia conversar com as flores. Ela teve uma sensação estranha de que elas a ouviam e entendiam. A semana inteira ela cuidou delas desse jeito, com muito carinho.

Depois de uma semana, o rei entrou no quarto e viu suas flores ainda mais bonitas e coloridas do que antes.

“Você conseguiu! Elas estão muito mais bonitas do que antes. Você quebrou a terrível maldição que minha madrasta lançou sobre mim e vai se tornar minha esposa.”

Lá fora, brilhou um relâmpago, trovejou, e das flores surgiram lindas meninas. Até as irmãs de Júlia se transformaram de novo em meninas e ficaram radiantes de alegria, pois Júlia as salvou com sua dedicação.

E então aconteceu um grande e esperado casamento. Júlia se casou com o rei e virou rainha. Ivete ficou no castelo e se tornou jardineira, nunca mais esquecendo de regar as flores. Rosa ficou na sua casa e comprou uma cabra, que comeu todas as flores da casa e do jardim, deixando Rosa finalmente feliz.

E assim, a nossa história chega ao final, com cheirinho gostoso de flor. E agora é hora de dormir, as luzes já vão se apagar. Boa noite!

4.8/5 - (79 votos)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Topo