
Histórias para Dormir
As águias invencíveis e o pequeno gavião
Nas altas montanhas, acima de um vale escuro, vivia um grupo de águias. Elas tinham ninhos bem próximos uns dos outros, voavam sempre em grupo e nunca se separavam. Elas se achavam invencíveis e queriam mandar no vale todo. Nunca deixavam nenhum outro pássaro entrar no grupo e ninguém se atrevia a se aproximar… exceto um pequeno gavião.
Ele era bem pequenininho, mas tinha muita coragem e inteligência. Seu nome era Ricardo. Ele vivia sozinho, sem grupo e sem família, mas queria mudar isso. Afinal, seria muito mais divertido e seguro ter amigos por perto.
Então, um dia, Ricardo decidiu conversar com as águias. “Afinal, que mal teria nisso? Por que ficar divididos em grupos diferentes se somos todos pássaros com bicos e asas?”, pensou ele.
Quando o sol já estava se pondo, Ricardo voou até as montanhas onde as águias viviam. Logo as viu, fortes e majestosas, se preparando para dormir. Com cuidado, ele pousou perto e perguntou timidamente: “Oi, eu sou o Ricardo. Estou sozinho. Posso dormir aqui com vocês, por favor? Não quero ficar sozinho à noite”.
As águias olharam surpresas. A maior delas respondeu com arrogância: “O que você está pensando? Acha que damos abrigo a qualquer passarinho? Aqui dormimos só nós, os mais fortes. Você por acaso é uma águia? Não é! Então vá embora!”.
Ricardo ficou triste, mas não queria arrumar confusão, então se afastou. Mas ele não desistiu. Durante vários dias, continuou por perto, observando o grupo e sonhando em ser aceito. Queria tanto ter amigos corajosos! Não entendia por que elas o rejeitavam.
Até que um dia, enquanto observava de longe, viu algo estranho. A maior das águias se aproximava de um pedaço de comida que parecia saboroso, mas Ricardo percebeu na hora que havia algo errado. Algum humano devia ter deixado ali. Ricardo voou rapidamente e gritou: “Por favor, não coma isso! É veneno! Acredite em mim, eu conheço esse cheiro! Lá no campo, alguns humanos também deixam isso para envenenar os pássaros!”.
A águia se irritou. “Como esse passarinho se atreve a me dizer o que devo fazer?!”, pensou ela. Mas antes que pudesse reagir, apareceu um urubu enorme. Era o maior pássaro das montanhas e todos o respeitavam. Ele pousou numa pedra e disse com a voz firme: “É verdade, águia. O pequeno tem razão. Isso é veneno! Esse passarinho, de quem você tanto reclama, acabou de salvar sua vida. Seja grata a ele e o aceite em seu grupo. Ele merece”.
Dito isso, o urubu abriu suas enormes asas e voou embora. A águia ficou em silêncio.
Ela percebeu que o urubu tinha razão, o pequeno gavião havia salvado sua vida. As outras águias do grupo também reconheceram. Então, a líder olhou para ele e disse: “Venha, pequenino. A partir de hoje, você faz parte do nosso grupo”.
“Eu me chamo Ricardo”, respondeu o pequeno gavião feliz, e se juntou satisfeito ao grupo. Naquela noite, quando todos foram dormir, Ricardo se aconchegou no seu novo ninho e disse sorrindo: “Eu sempre digo: pássaro é pássaro. Todos temos bicos e asas. Devemos ficar juntos e nos ajudar”.
“Agora durma, pequeno”, murmurou a grande águia ao lado dele. E adormeceu sorrindo, contente porque um passarinho tão pequeno e corajoso tinha mostrado como é importante ajudar uns aos outros e não deixar ninguém de fora.
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