Espreitadores – Como andar no corrimão e minha primeira saída para fora do prédio

Hoje à noite, meu irmão Sardento estava assustando o Senhor Carlos, e eu, Fofinho, não tinha nada para fazer. Então, pensei em ver como estavam as coisas na frente do prédio. Hoje choveu o dia todo. Ouvi as crianças falando sobre como são ótimas as poças lá fora depois da chuva e como é maravilhoso pisar e pular nelas. Eu também preciso experimentar isso!

Esperei até que o prédio adormecesse. Desci as escadas, mas, oh, não! A Senhora Simone estava limpando e, a partir do quinto andar, cada degrau estava mais escorregadio do que a calçada nos meses que neva. Meu pé escorregou. Ai, ai, ai, oh, não, ai. Desci as escadas até o patamar. Mas ninguém me fará entrar no elevador. Por onde mais eu poderia ir? 

Contos para dormir - Espreitadores – Como andar no corrimão e minha primeira saída para fora do prédio
Espreitadores – Como andar no corrimão e minha primeira saída para fora do prédio

Foi então que notei que ao longo de toda a escada havia uma barra longa, larga o suficiente para que minha barriguinha coubesse perfeitamente nela. Subi nela, acho que chamam isso de corrimão, deitei, soltei e iupi! E então desci! E foi rápido! Nas curvas, tive que frear para não cair. Elegantemente, cheguei até a entrada. E como foi incrível. Nesse momento, os degraus já estavam secos, e então subi novamente até o quinto andar e desci pelo corrimão mais uma vez. E mais uma vez. E outra. E outra. Foi uma diversão!

Quase me esqueci de que queria brincar nas poças. Cuidadosamente, escapei por uma passagem secreta ao lado da porta da frente, que Sardento me contou que existia. Estava tudo escuro, apenas os postes de luz estavam acesos. Mas eu conseguia ver bem no escuro. Encontrei a maior poça, me agachei, balancei os quadris como um gato antes de pular e pimba! E splash! Água e lama se espalharam ao meu redor. Agora entendo por que as crianças gostam tanto disso. É super divertido!

Pulei em quase todas as poças ao redor do nosso prédio até que meu pelo ficasse completamente encharcado. Mas eu não estava com frio, só estava um pouco sujo. Logo iria  amanhecer e eu deveria ir para casa. De qualquer forma, já estava muito cansado. Arrastei-me até o quinto andar, quando me ocorreu que eu poderia escorregar no corrimão mais uma vez antes de ir dormir.

Então pulei nele, soltei e fiiiiiu! Foi uma aventura. Os pelos molhados escorregavam muito mais e eu fui tão rápido que não consegui parar. Na curva, voei do corrimão e bati na parede. Ai! E com essa humilhação, tive que ir dormir.

Na manhã seguinte, fui acordado pelas vozes dos meus pais e do meu irmão Sardento.

“O prédio agora tem uma imagem de um espreitador na parede! Alguém pintou o contorno de um espreitador no quarto andar!”

O quê? As pessoas nos descobriram? Isso não é nada bom. Eu me esgueirei para fora da cama para ver o que havia no quarto andar. E não é que era verdade!? Uma imagem de um espreitador do nosso prédio, um lindo contorno de frente com as quatro patas e o rabinho esticados. Igual a mim. Bem, era eu mesmo.

“Quem foi o animal que sujou a parede com lama?”, ouvi a Senhora Simone reclamar, mas eu já estava correndo para a minha caminha.

Eu não sou nenhum animal.

“Parece que alguém imprimiu uma pata de gato ali”, riu o Senhor Carlos. “Acho que vamos ter que pintar o corredor, Senhora Simone.”

“Sim, vou providenciar isso semana que vem. Mas é um mistério como isso apareceu na parede.”

Para mim, não parecia tão misterioso assim, pensei, enquanto adormecia, agradavelmente cansado, na minha caminha, após minha aventura noturna. 

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