Todos os anos, os alunos do sétimo ano iam para uma viagem de esqui nas montanhas. Durante uma semana inteira, eles ficariam hospedados em um chalé, brincariam na neve e passariam o dia esquiando. E o melhor: nada de dever de casa. Todos estavam muito animados… menos o Joãozinho.
Joãozinho estava com medo, pois não sabia esquiar. E não era só ele que estava com medo: a mamãe, o papai, a vovó e até sua irmã também estavam preocupados. Eles morriam de medo de que Joãozinho voltasse para casa com a perna quebrada. Antes da viagem, eles deram conselhos, fizeram alertas e até tentaram convencê-lo a ficar em casa. Mas Joãozinho não desistiu: “Eu vou! Depois a gente vê o que acontece”, disse ele com firmeza.

Quando chegou ao chalé, Joãozinho ficou impressionado. O lugar era lindo, havia neve por todos os lados e a montanha era tão grande que ele ficou até tonto. E aquele aparelho estranho que leva as pessoas para o alto da montanha? O teleférico parecia assustador.
Mesmo assim, Joãozinho fingia coragem. Sorria, brincava e fazia de conta que estava tudo bem. Ele não contou para ninguém que nunca tinha colocado esquis nos pés. Achava que seria uma vergonha ficar no grupo dos iniciantes, ainda mais com as meninas. Afinal, ele jogava futebol e se considerava muito esportista.
A professora, desconfiada, perguntou: “Você sabe mesmo esquiar, Joãozinho?”. “Claro que sei! Todo ano vou esquiar nos Alpes”, respondeu ele. Joãozinho mentiu tanto que suas orelhas ficaram vermelhas. Ainda bem que o gorro escondia tudo.
Com muita dificuldade, ele colocou os esquis e entrou na fila do teleférico. Mas não foi nada fácil. Ele não conseguia se equilibrar na primeira tentativa, nem na segunda, nem na terceira. A fila foi crescendo, e as pessoas começaram a reclamar. Até que o funcionário do teleférico veio ajudá-lo. Quando finalmente conseguiu subir, Joãozinho quase caiu várias vezes. Suas pernas se cruzaram, ele escorregou, mas conseguiu se segurar com muita força. Ao ouvir as risadas lá embaixo, ficou ainda mais nervoso, mas não desistiu.
O problema veio depois: subir até que foi possível, mas como ele iria descer? Joãozinho observou os colegas à sua frente. Um por um, eles se soltavam do teleférico com facilidade e elegância. Joãozinho não sabia como fazer aquilo. Nunca tinha tentado antes. Então, fechou os olhos e se jogou no chão.
Logo atrás vinha outro esquiador, que gritou para ele sair do caminho. Joãozinho tentou, mas não conseguiu se levantar a tempo. Um esquiador bateu nele, depois outro, e mais outro. Todos reclamaram, e Joãozinho ficou morrendo de vergonha. Tentando escapar rápido, ele decidiu descer a montanha. Precisava provar que sabia esquiar! Mas acabou ganhando velocidade demais, perdeu o controle e bateu em um arbusto. Ficou preso ali, todo enrolado, sem conseguir sair sozinho.
A professora e os colegas o procuraram por quase duas horas, até encontrá-lo. Depois disso, Joãozinho não teve mais como esconder a verdade e contou que não sabia esquiar. A professora sorriu e disse: “Não tem problema nenhum. Estamos aqui para aprender. Até o final da viagem você vai saber esquiar direitinho!”. E Joãozinho aprendeu que pedir ajuda é sempre melhor do que fingir coragem.