Alfie, o cachorrinho do abrigo

Existe uma casa especial onde vivem vários cachorrinhos. Algumas pessoas vão lá todos os dias para cuidar deles. Elas dão comida, fazem curativos, dão carinho e brincam um pouquinho também. Essa casa é um abrigo para cachorros que não têm dono ou que foram abandonados. Às vezes, alguém visita o abrigo, escolhe um dos cachorrinhos e o leva para casa com muito amor. Foi isso que aconteceu com Aninha e sua mãe.

Era uma tarde de outono, fria e úmida, quando Aninha e sua mãe foram ao abrigo. Elas caminhavam devagar, olhando cada casinha e cada cercado. A cuidadora do abrigo estava junto e explicava como cada cachorrinho era. Alguns adoravam brincar com crianças. Outros já eram mais velhinhos e só queriam descansar.

Contos para dormir - Alfie, o cachorrinho do abrigo
Alfie, o cachorrinho do abrigo

Quando Aninha olhou dentro de um dos cercados, viu vários cachorrinhos juntos. Eles abanavam o rabinho e pulavam na grade, querendo atenção. Só um deles não fazia nada: estava encolhidinho num canto, com os olhos assustados. “Posso ir ali perto dele?”, perguntou Aninha. “Pode, sim. Mas vá devagar. Os primeiros donos dele não cuidaram bem dele, e por isso ele tem bastante medo”, respondeu a cuidadora.

Aninha abriu o portão bem devagar. Sentou-se no chão perto do cachorrinho e estendeu a mão. “Não precisa ter medo. Eu não vou te machucar. Pode confiar em mim”, sussurrou. O cachorrinho olhou para ela, cheirou sua mão com cuidado e chegou mais pertinho, ainda tímido. “É ele que eu quero”, disse Aninha, decidida.

E pronto! Estava escolhido. Aninha se apaixonou por aquele cachorrinho medroso. Deu a ele o nome de Alfie e cuidou dele com muito amor. Com o tempo, Alfie foi percebendo que estava seguro, que Aninha gostava dele, e começou a perder o medo. Até que um dia ele precisou ser muito, muito corajoso.

Meses se passaram e Aninha já ia para a escola sozinha. Às vezes, para voltar para casa, ela usava um caminho mais curto que passava por uma floresta pequena. Alfie sempre a esperava no meio do caminho. Sentadinho, ele olhava atento e, quando via Aninha chegando, caminhava feliz ao lado dela até chegar em casa. Mas naquela tarde, Aninha não apareceu. Alfie começou a ficar preocupado. Andava de um lado para o outro e esticava o pescoço para tentar enxergar sua menina. Mas nada.

Ele parou na entrada da floresta. Queria entrar e procurar Aninha, mas tinha muito medo. Antes do abrigo, seus primeiros donos o amarravam numa árvore em uma floresta parecida e o deixavam lá sozinho. Desde então, Alfie se arrepiava só de pensar em entrar no mato. Mas e se Aninha estivesse precisando dele?

Alfie respirou fundo. E então, juntando toda a coragem que tinha dentro do coração, correu floresta adentro, enfrentando seu medo. Ele precisava encontrar sua menina. Sentindo o cheiro dela, Alfie seguiu a trilha até encontrar Aninha.

Pouco depois, encontrou Aninha caída em um pequeno barranco. Ela ainda estava com a mochila nas costas e não se mexia. Alfie pulou ao lado dela, começou a lamber seu rosto desesperadamente e a latir sem parar. Aninha abriu os olhos e ficou aliviada ao ver seu amigo.

“Alfie, você me achou? Você veio por mim? Mas você tem medo da floresta… Eu estou tão feliz que você veio! Eu escorreguei, caí e bati a cabeça. Nem sei há quanto tempo estou aqui”, explicou ela, abraçando forte seu cachorrinho. Alfie ajudou Aninha a se levantar e deixou que ela se apoiasse nele. Juntos, caminhando devagar, voltaram para casa.

Os pais de Aninha já estavam preocupados e ficaram aliviados ao ver os dois chegarem. E quando ela contou tudo o que havia acontecido, ficaram orgulhosos por terem um cachorro tão corajoso. E Alfie? Estava feliz consigo mesmo. Tinha vencido seu medo e salvado sua menina. Depois desse dia, Aninha passou a chamá-lo de meu herói.

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