O trem e o vagão do meio

Existe uma cidade onde circula uma grande quantidade de trens. Nela, os trilhos se espalham e os trens atravessam a cidade de um lado ao outro, passando pelas montanhas, vales e campos. Eles carregam mercadorias, transportam pessoas e controlam todo o transporte urbano. Cada trem sabe exatamente para onde deve ir e o seu horário. Eles nunca se atrasam. Mas nem sempre foi assim.

Houve um tempo em que o trem mais longo, com o maior número de vagões, não seguiu o cronograma. Toda a cidade precisava dele, pois ele distribuía mantimentos para todos os cantos. Porém, na primavera ele estacionou no pátio e não saiu. Os outros trens ficaram preocupados e queriam descobrir o que estava acontecendo para ajudá-lo.

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O trem e o vagão do meio

Todos queriam que tudo voltasse a ser como era. Por isso, certo dia, os dois trens mais velhos decidiram ir atrás do amigo. Eles tinham sabedoria e paciência para compreender a situação, afinal, tinham muita experiência em viagens. 

Na noite em que os trens mais velhos chegaram ao pátio, ficaram surpresos com o que viram: todas as luzes estavam apagadas e havia um silêncio enorme. O trem mais longo estava triste e parado na escuridão. Eles chegaram com cuidado e diminuíram as luzes para que ele não se assustasse.

“Oi, trem, há muito tempo não te vemos. Sentimos sua falta. E não apenas nós, mas toda a cidade. O que aconteceu para você não querer mais andar?”, perguntaram. O trem mais longo acendeu as luzes lentamente para ver quem veio atrás dele. Suspirou tristemente e então começou a explicar: “Eu gostaria de andar, sei que minha carga é importante, mas não posso. Estou travado. Tenho muitos vagões, por isso sou o trem mais longo da cidade. Mas agora o vagão do meio travou e não quer se mexer. Então eu também não consigo me mover”.

Depois de refletir, os trens antigos disseram: “Ah! Então vamos falar com ele. Quem sabe encontraremos uma solução para que ele se destrave e assim possamos pôr você em funcionamento”.

Os trens mais velhos foram até o vagão do meio e perguntaram: “Olá vagãozinho, como você está? Queríamos te perguntar uma coisa”. “O quê?”, respondeu o vagão do meio que estava travado. “Você sabe que esse trem e todos os vagões são muito importantes para a cidade e que ele transporta uma carga essencial?”, continuaram. “Eu sei”, respondeu o vagão secamente. “Então por que você não quer deixar o trem andar e transportar os mantimentos? Alguma coisa está doendo? Ou você está quebrado?”, perguntaram eles.

O vagão ficou em silêncio. Não queria dizer a verdade. Mas os trens foram pacientes e esperaram pela resposta. Então o vagão respirou fundo, reuniu coragem e disse: “É que eu acho que estou sobrando aqui. Sou completamente inútil, pois não sou nem o começo e nem o fim do trem. Apenas mais um. Não preciso estar aqui. E não quero mostrar às pessoas o quão desnecessário eu sou, por isso não quero andar”.

Os trens mais velhos perceberam de imediato que o que o vagão dizia era bobagem e não era verdade. Mas não poderiam ficar bravos com ele na hora, precisavam agir de outra forma, pois ele estava triste. “Nosso querido vagão. Entendemos porque você se sente assim. Às vezes alguém pode ficar tão triste a ponto de se sentir supérfluo ou inútil. Mas na verdade não é assim. Você pode confiar em nós. Você é tão importante quanto qualquer outro vagão. Além disso, você é o meio. Você liga o trem inteiro, é o elo mais importante entre o começo e o fim. Você é como a geleia entre as fatias de pão. Ela também conecta as duas fatias. Você é a doce conexão no meio do trem”.

O vagão gostou da explicação e sorriu. Por fim, ele permitiu que os freios fossem liberados. Assim, todo o trem pôde partir e transportar os alimentos por toda a cidade. Desde então, todos os trens voltaram a circular pela cidade sem atrasos. E quando alguém sentia tristeza ou desânimo, os trens mais velhos mostravam razões para continuar andando e não desistir.

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