
Histórias para Dormir
Fábula do sininho para o gato
Os ratos da casa viviam morrendo de medo do gato. Por isso, um belo dia, um ratinho jovem chamou todos os ratos da vizinhança para contar o plano que ele mesmo tinha bolado. Era um plano para acabar de vez com o medo do gato.
“Que bom que vocês todos vieram!”, disse o ratinho, dando as boas-vindas.
“Plano assim é o que não falta por aqui”, resmungou o vovô rato, apoiado na bengala. “Nenhum deu certo. Quero só ver o que você inventou.”
O ratinho pigarreou e começou: “Meus queridos ratinhos, como o vovô rato já disse, planos não faltaram. Faz tantos anos que a gente queria pelo menos saber quando o gato está chegando, para dar tempo de correr para o esconderijo. E hoje eu vou apresentar um plano assim para vocês. Chega de viver com medo de ter um gato atrás da gente!”
Os ratos ficaram quietinhos, sem dar um pio, e escutaram.
“Meu plano é simples que só, e eu tenho certeza de que vai funcionar. A única coisa que a gente precisa fazer é pendurar um sininho numa cordinha no pescoço do gato. Assim que a gente ouvir o sininho, vai saber que o gato está chegando, e aí é só sair correndo. Simples assim!”
Na mesma hora os ratos começaram a cochichar entre si, dizendo que surpresa boa era aquela e que nunca ninguém tinha pensado num plano assim. Já estavam até comemorando, achando que os problemas tinham acabado, quando o rato velho entrou na conversa.
“Calma, pessoal!”, gritou o rato velho, e todo mundo ficou quieto na hora, como se fosse uma ordem. “Eu concordo com vocês que o plano do ratinho é ótimo mesmo. Mas deixem eu fazer uma perguntinha: quem é que vai pendurar o sininho no pescoço do gato?”
Ficou todo mundo calado, pensando. A animação dos ratos derreteu feito boneco de neve na primavera. Ninguém se ofereceu. Pois é: uma coisa é dizer que alguma coisa precisa ser feita, outra bem diferente é fazer de verdade. E assim os ratos continuaram vivendo com medo do gato. Até hoje não apareceu nenhum rato herói com coragem de pendurar o sininho no pescoço do gato. Teve rato que falou muito, mas, na hora H, a coragem sumiu. Como diz o ditado: falar é fácil, difícil é fazer.
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