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Do que é capaz um dinossauro apaixonado – história para dormir

Histórias para Dormir

Do que é capaz um dinossauro apaixonado

Sofia P.27 de setembro de 20268 min de leiturapara a pré-escola

O amor não nasceu junto com a gente, os seres humanos. O amor existe na Terra desde o começo do mundo: sem ele, não haveria vida nenhuma.

E foi assim que um dia, há milhões e milhões de anos, o amor foi morar no coração de um dinossauro tímido chamado Alex.

O Alex era um tricerátops jovem. Tinha chifres bonitos e um colar largo que protegia a cabeça dele feito uma juba. Era muito bonito, mas não tinha nenhuma confiança em si mesmo e era um pouquinho menor que os outros dinossauros. Por isso preferia fugir das mocinhas dinossauras.

Até o dia em que viu aquela que um dia ia amar: a Mônica. A pele dela, castanho-dourada, brilhava ao sol, e o colar parecia a renda mais delicada do mundo. O Alex não conseguia tirar os olhos dela, e isso o ajudou a vencer toda a timidez.

— Mônica, Mônica, eu me apaixonei tanto por você! Fique comigo, por favor — disparou o dinossauro de uma vez, enquanto ainda lhe restava um pouquinho de coragem.

Mas a convencida da Mônica só olhou para ele. Ela tinha um monte de pretendentes, e perto deles o Alex era tão sem graça…

— Alex, Alex, sabe o que eu vou te dizer? Eu também vou gostar de você, se você cumprir três tarefas para mim. Mas já vou avisando: não vai ser fácil! — respondeu a dinossaura metida. E ele não pensou nem um segundinho.

— Minha querida, por você eu faço qualquer coisa! — exclamou, todo feliz.

— É mesmo? Bom, isso a gente vai ver! Então escute: primeiro, você tem que me trazer água do riacho mais distante. Segundo, colha para mim uma samambaia do morro mais alto. E por último, quero que você me traga um fruto da árvore mais verde de todas!

“Só isso?”, pensou o apaixonado Alex. E sem perder nem um minuto, saiu a galope para trazer à sua amada tudo o que ela queria.

Levou dois longos anos inteirinhos. Ele começou pela primeira tarefa. Ela era mais difícil do que parecia no começo. Ele perguntou a dinossauros grandes e pequenos onde ficava o riacho mais distante. Depois, com os chifres, fez um baldinho de casca de árvore para poder carregar a água. E por fim partiu numa viagem longa e cansativa. Voltou exausto, mas vitorioso, e entregou a água para a Mônica.

Um único sorriso da mocinha dinossaura valia tanto para ele que logo começou a segunda tarefa.

Na segunda tarefa, muitos perigos grandes esperavam pelo Alex. No caminho para o morro mais alto, ele não podia simplesmente se esconder entre as cavalinhas e os licopódios. Teve que fugir de dinossauros ferozes, atravessar desfiladeiros íngremes e procurar comida em florestas estranhas e nada acolhedoras. Mas no fim conseguiu a tão sonhada samambaia do morro mais alto, e um mês depois já estava em casa com ela.

A Mônica o recebeu outra vez com um sorrisinho de nariz empinado. Mas, dessa vez, o Alex achou que havia nele também um tiquinho de admiração.

“Só mais uma tarefa, e a minha querida vai me abrir o coração!”, pensou o dinossauro cansado. Só que a árvore mais verde crescia tão longe que, depois de muitos dias de caminhada, o Alex começou a perder a esperança.

Até que, finalmente, ela apareceu no horizonte: linda, imponente, coberta de folhas o ano inteiro. Mas e os frutos? O Alex ficou com medo. Por mais que procurasse, não encontrava nem uma delícia sequer.

Ah, ali tem um! O tricerátops suspirou aliviado. Mas só um! Tem que ser meu!

Com uns galhos, o Alex montou uma gangorra muito engenhosa: ia pular nela feito numa cama elástica e se lançar até o fruto. E provavelmente teria conseguido, se outros dinossauros não tivessem se metido.

De trás da árvore surgiram dois diplódocos. Com aqueles pescoços compridos, eles comeriam o fruto em poucos segundos, e o Alex sentiu que precisava agir na hora. Respirou fundo, tomou distância, pulou…

…e no último instante desviou. É que ele viu, bem debaixo da pata dele, uma ratinha minúscula: com certeza ia esmagá-la sem querer! A bichinha mal dava para ver e estava morrendo de medo. Ficou paradinha, sem se mexer. Fugir de um gigante daqueles, não ia conseguir mesmo.

O dinossauro Alex sempre teve um coração muito bom. Parou, fez um carinho cuidadoso na ratinha com uma das garras e falou baixinho com ela por um tempinho, para ela perder o medo.

Quando a ratinha entendeu que não ia acontecer nada com ela, de gratidão entrou atrás do colar cheio de chifres dele e tirou ali um soninho tranquilo. Só que, para o Alex, já era tarde. Os dois diplódocos, enquanto isso, tinham se deliciado com o último fruto. E pronto. O amor dele estava perdido. Todo o esforço tinha sido à toa.

O Alex voltou para junto dos outros tricerátops feito pinto molhado. Não teve coragem de olhar nos olhos da Mônica, e foi se esconder em algum canto entre as pedras. A única companhia dele era a nova amiguinha, a ratinha minúscula.

Mas notícia corre depressa entre os dinossauros. A Mônica foi procurar o Alex por conta própria e quis saber o que tinha acontecido. Um pouco por curiosidade, e um pouco porque, enquanto o Alex estava viajando, ela tinha acabado se apaixonando por ele.

Querendo ou não, o dinossauro tristonho contou como, por causa daquela hesitação, tinha perdido o fruto que ela tanto queria. A ratinha espiava por trás do colar dele e olhava a Mônica com toda a atenção.

Quando a Mônica ouviu o quanto o Alex se importava também com as outras criaturas, deu um beijo nele na mesma hora! Ele olhou para ela como se não acreditasse no que estava vendo, mas a Mônica explicou:

— Você é mais sábio do que eu, Alex, e eu gosto muito de você! Sei que vai ser tão bondoso comigo quanto foi com outro bichinho, e eu não preciso de mais nada!

Como você já deve imaginar, o Alex e a Mônica viveram felizes por muitos e muitos anos. A ratinha morava com eles, e o Alex olhava para ela todos os dias com gratidão: afinal, foi graças a ela que ele conquistou o coração da sua amada!

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