
Histórias para Dormir
Uma história comum sobre uma amizade extraordinária
A história que eu vou te contar aconteceu faz muito tempo. É sobre uma menininha que descobriu que a amizade é uma das coisas mais importantes do mundo. E que a gente encontra amigos onde menos espera.
Uns anos atrás, morava na nossa cidade uma menininha. Ela estava sempre alegre e sorridente e tinha um monte de ideias legais, por isso nunca ficava entediada. Às vezes brincava de cozinheira, outras vezes era exploradora, e outras ainda virava uma alpinista corajosa, que subia em todas as árvores do quintal. Tinha cabelo loiro comprido, que usava solto ou em duas tranças, e o rosto cheio de sardinhas marrons lindas. Como era corajosa e esperta feito uma índia, todo mundo chamava ela de Indi.
Um dia, a Indi resolveu construir uma casa na árvore. Os amigos dela estavam viajando nas férias, e ela queria fazer uma surpresa para eles. Mal podia esperar que voltassem e vissem o que ela tinha construído. “Eles vão brincar lá em cima e ver tudo lá de cima!”, pensava. Primeiro, ela juntou a madeira que achou na floresta. Depois subiu na árvore, rapidinha, e foi puxando as tábuas para cima, uma por uma. Estava tentando prender as tábuas quando, de repente, o pé escorregou e ela quase caiu lá do alto.
Na última hora, a Indi conseguiu se agarrar num galho grosso e ficou pendurada lá no alto. Segurava com toda a força, mas não conseguia subir de volta. Só ficava ali, balançando as perninhas no ar. Já sentia que as forças estavam acabando e que não ia aguentar muito tempo… Foi aí que ouviu alguém chamar: “Não tenha medo, pode soltar! Eu te pego, confia em mim.” Era uma moça que morava pertinho dela.
A Indi quase não conversava com ela. Só sabia que era a vizinha, mais ou menos da idade da mamãe. E agora lá estava ela, bem embaixo da árvore, gritando para a Indi soltar. A Indi estava com medo. Era muito alto! Ainda tentou se puxar algumas vezes para subir na árvore, mas não tinha mais força. As mãos escorregaram do galho e ela caiu lá de cima.
Mas não aconteceu nada com ela, porque a vizinha segurou a menina. Tudo bem que as duas acabaram no chão, mas estavam bem. A Indi agradeceu e começou a explicar o que estava fazendo lá em cima. Elas voltaram juntas para casa, conversando o caminho todo, e descobriram que tinham muita coisa em comum.
Depois desse dia, a Indi passou a ir à casa da vizinha quase todo dia. As duas jogavam, faziam passeios, e a vizinha ensinou um monte de coisas para a pequena Indi. Viveram muitas aventuras juntas.
Uma vez, enquanto conversavam no quintal e construíam uma casinha de passarinho, começaram a rir muito de alguma coisa. Já nem lembro do quê. Nessa hora, a Indi olhou para a vizinha e disse: “Gosto muito de você. Que bom que você me pegou aquele dia, quando eu caí da árvore. Eu nem imaginava que a minha melhor amiga podia ser uma pessoa grande, bem mais velha que eu.”
Aí ela deu um abraço apertado na vizinha. A vizinha só fechou os olhos e apertou bem a menina. “Eu sempre vou te pegar, minha querida Indi. Eu também gosto muito de você”, sussurrou no ouvido dela.
Pode ser uma história comum, sobre uma menininha comum e uma vizinha comum. Mas é sobre uma amizade fora do comum, que nasceu entre as duas e que dura até hoje. Disso eu tenho certeza. Pode acreditar em mim.
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