
Histórias para Dormir
Cerejas envenenadas
Era uma vez, em um castelo bem ensolarado, um rei que tinha uma única filha chamada Paula, que todos conheciam como Paulinha. Eles viviam felizes até o dia em que o rei percebeu o quanto sentia falta da esposa que já havia partido e decidiu se casar novamente.
No começo, Paulinha ficou contente. O pai parecia mais alegre por ter encontrado um novo amor. Mas, quando a madrasta e a filha dela, Ana, se mudaram para o castelo, tudo mudou num piscar de olhos.
A nova rainha deixou de ser gentil e bondosa. Passou a gritar e reclamar com Paulinha o tempo todo, enquanto mimava Ana, comprava vestidos caros, joias reluzentes e sempre tirava dinheiro do rei para agradar apenas a própria filha.
Paulinha tentou conversar com o pai. Será que ele não percebia como a esposa tinha mudado? Mas o rei estava tão feliz por não estar mais sozinho, tão apaixonado, que não enxergava o que a filha via claramente. Mesmo assim, Paulinha guardava no coração a esperança de que, um dia, a justiça chegaria. E esse dia acabou chegando.
Certa manhã, a madrasta foi até Paulinha para contar, cheia de orgulho, que havia encontrado para Ana um homem rico e respeitado, que viria ao castelo para pedi-la em casamento. Em seguida, mandou Paulinha ajudar no preparo do almoço e ficar o mais quietinha possível, enquanto ela arrumava Ana com roupas bonitas.
Quando o visitante importante chegou, todos se sentaram à mesa. Paulinha comia em silêncio, enquanto a madrasta elogiava a própria filha sem parar. Na verdade, Paulinha se sentia bastante incomodada com a companhia deles. O pretendente não falava de outra coisa além das próprias riquezas e parecia muito com a madrasta e Ana.
Ao se despedir, porém, ele disse algo inesperado:
“Até o fim da semana eu volto para anunciar minha decisão. Afinal, aqui há duas moças para casar, e nenhuma delas é de se desprezar.”
Com essas palavras, foi embora. A madrasta ficou furiosa.
À noite, ela fez planos com a filha no quarto e disse em voz baixa:
“Se queremos que ele escolha você, precisamos dar um jeito na Paulinha. E eu já tenho um plano. Amanhã vou oferecer cerejinhas bem doces para ela, mas antes vou envenená-las. Assim, o rei não terá escolha, e o reino será seu.”
O que a madrasta não percebeu foi que deixou a porta entreaberta. Paulinha, passando pelo corredor, ouviu tudo.
No dia seguinte, a madrasta apareceu com um prato cheio de cerejas lindas e brilhantes e ofereceu a Paulinha. A menina recusou.
“Por que, minha filha? Elas parecem tão gostosas”, disse o rei, surpreso.
“Podem até parecer, mas estão envenenadas. Eu ouvi tudo!”, respondeu Paulinha.
“Como você sabe disso?”, perguntou a madrasta, pálida de susto.
Quando o rei entendeu que a própria esposa havia planejado fazer mal à sua única filha, não pensou duas vezes. Mandou expulsar a madrasta e Ana do reino imediatamente.
Com a partida delas, a paz voltou ao reino. O rei passou a ouvir mais a filha, e Paulinha voltou a sorrir como antes. O castelo se encheu novamente de risadas, música e dias tranquilos, e todos aprenderam que a bondade e a verdade sempre encontram seu caminho.
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