Lá onde o vento soprava e a cachoeira jorrava, havia uma terra encantada, onde vivia um gigante muito solitário. Luca morava perto de uma cidadezinha que precisava proteger das criaturas malvadas. Mas, por ser tão grande e assustador, todos se apavoravam ao vê-lo, e ele não tinha nenhum amigo. Bastava tentar cumprimentar alguém, e todos gritavam e saíam correndo.
E assim Luca se sentava na colina acima da cidadezinha e ficava olhando as crianças brincarem na praça. Ele ria baixinho, para não assustá-las. Quando o vento soprava forte, o gigante ficava de costas para o vento, para que os telhados das casas não fossem arrancados.

Quando um bezerrinho se perdia, ele o levava de volta ao estábulo com delicadeza, usando apenas dois dedos. Sempre ajudava, mas ninguém nunca lhe agradecia, porque ninguém sabia que tinha sido ele.
Um dia, ao soltar um suspiro tão triste e tão forte que a grama do prado se deitou, ele ouviu uma voz baixinha: “Com licença, o senhor poderia mover seu pé um pouquinho?”
Luca se assustou. Olhou para baixo e, ao lado do seu dedão, estava um pequeno anão de gorro vermelho. Era tão pequenino que caberia, como uma maçã, na palma de uma mão gigante.
“D-desculpe!” resmungou Luca, levantando depressa o pé. “Eu não tinha te visto”.
O anãozinho sorriu e disse: “Não faz mal. Quase ninguém me vê. Meu nome é Teo”.
Luca se ajoelhou com cuidado ao lado dele e respondeu: “Eu sou Luca. E, na verdade, quase ninguém me vê também. Quer dizer, veem, mas não querem”.
Teo se sentou numa pedrinha e suspirou: “Ninguém repara em mim porque sou pequeno demais. Quando eu falo, falam mais alto do que eu. Quando conserto alguma coisa, pensam que ela se arrumou sozinha”.
O gigante se sentou ao lado dele tão de mansinho que a terra só tremeu um pouquinho. “E de mim têm medo, porque sou grande demais”, disse ele.
Por um instante, ficou tudo em silêncio. Depois, Teo caiu na risada e falou: “Sabe de uma coisa? Você é grande e eu sou pequeno. Talvez seja justamente por isso que a gente se entende”.
Luca sorriu. Era um sorriso como o nascer do sol por trás das montanhas. “Você seria meu amigo?”, perguntou.
“Claro! Só, por favor, não me assopre para longe quando for espirrar”, afirmou Teo.
A partir daquele dia, Teo se sentava no ombro de Luca e lhe contava histórias. Luca, por sua vez, lhe mostrava o mundo lá do alto: as florestas, o rio e toda a cidadezinha.
Quando era preciso consertar alguma coisa no telhado, Teo subia no ombro de Luca e, lá do alto, fazia tudo com habilidade. E quando, à noite, sombras de criaturas más surgiam perto da floresta, Luca era corajoso e forte, e Teo lhe dizia por onde deveriam seguir.
Certa noite, um monstro sombrio apareceu na cidadezinha. As pessoas se esconderam em suas casas e tremiam de medo. Luca parou diante do portão, mas desta vez não estava sozinho.
“Um pouquinho mais para a esquerda. Agora, bata o pé”, sussurrou Teo em seu ombro.
Luca bateu o pé com tanta força que a terra estremeceu, e a criatura fugiu assustada para dentro da floresta.
De manhã, as pessoas espiaram pelas janelas. Viram o gigante segurando com cuidado, na palma da mão, o pequeno anão para aquecê-lo do frio da manhã. Viram os dois rindo juntos e então perceberam que ser grande ou pequeno não é motivo para ter medo. O que importa é o coração.
Desde aquele dia, Luca já não era um gigante assustador, mas o protetor da cidade. E Teo já não era um anão invisível, mas um sábio companheiro. E, embora um fosse grande como uma montanha e o outro pequeno como um cogumelo, a amizade deles era maior que o mundo inteiro.
História legal! Lemos todas as noites histórias da “Leia Lenda”