Há muito tempo, além de sete montanhas e sete vales, vivia um jovem chamado André. Ele era um hábil ferreiro, sempre disposto a ajudar quem precisasse. Todos na vizinhança gostavam dele, mas havia algo que o entristecia: por mais que tentasse, não conseguia encontrar o verdadeiro amor.
André já sonhava em ter uma noiva, formar uma família, mas nunca encontrava alguém a quem pudesse entregar o coração. As moças da região pareciam simpáticas, mas quase todas já estavam comprometidas.

Um dia, cansado de esperar, André decidiu sair pelo mundo em busca de sua amada. Preparou uma mochila com um pedaço de pão, uma garrafa d’água e partiu pela estrada que cortava a floresta, disposto a ir até os confins do mundo, se fosse preciso. Passou por montanhas, aldeias e vilarejos, mas nenhuma moça o encantava.
Depois de caminhar por uma floresta densa, ouviu uma voz que o surpreendeu:
“Um rapaz tão jovem… há tempos não vejo alguém por aqui. Para onde está indo?”, perguntou uma senhorinha, que colhia mirtilos entre os arbustos.
“Ah, boa senhora, estou numa longa jornada em busca de uma noiva. Mas não sei onde meu verdadeiro amor me espera.”, respondeu André, desanimado.
“Talvez eu tenha algo que possa ajudá-lo. Venha comigo até minha casinha!”, disse a senhora.
Sem nada a perder, André aceitou o convite.
A casa ficava logo adiante, feita de madeira, simples e aconchegante. A senhora pediu que ele esperasse e entrou. Pouco depois, voltou com um vaso nas mãos. Dentro dele havia uma rosa murcha e ressecada.
“Já ouviu dizer que a paciência com as rosas traz recompensas? Esta rosa é especial. Mas precisa ser regada durante cem dias, nem mais, nem menos. Se você for paciente e cuidar dela, algo extraordinário acontecerá.”, explicou a senhora.
André agradeceu, mesmo sem entender muito bem como uma rosa seca poderia ajudá-lo, e levou o vaso consigo de volta para casa.
Nos primeiros dias, estava impaciente. Achava estranho regar aquela planta mirrada. Mas cumpria a promessa, regando-a todas as manhãs. Após três semanas, notou que algumas folhinhas verdes começaram a brotar. Mal acreditava no que via! Seu coração se encheu de alegria.
Sem desistir, André seguiu cuidando da rosa. Pouco a pouco, ela ganhou mais vida: vieram as pétalas, vermelhas e brilhantes, e até os espinhos. Dia após dia, a flor crescia, até que o centésimo dia finalmente chegou.
Com expectativa, André regou a rosa pela última vez. De repente, diante de seus olhos, a flor se transformou em uma linda jovem, de pele clara, lábios vermelhos como rubis e cabelos longos que desciam até a cintura.
“Obrigada, jovem! Eu estava presa a uma maldição lançada por uma bruxa. Mas você me libertou com sua paciência. Em gratidão, ofereço-lhe meu coração e meu amor.”, disse a moça, sorrindo.
André mal podia acreditar no milagre diante de si. A jovem era de uma beleza radiante e tinha um coração puro e bondoso. Não demorou para que se casassem, e ele nunca deixou de agradecer à senhorinha que lhe dera, um dia, aquela rosa que mudou sua vida.