O perfume da mamãe esquilo

Um cheiro pode fazer você lembrar de muitas coisas. Quando você sente o cheiro de um bolo assando, talvez se lembre de um domingo à tarde na casa da vovó, que adorava cozinhar. Quando sente o perfume das flores, talvez se lembre da mamãe, que gostava de colocar um vaso florido na janela. Cada cheiro traz uma lembrança diferente. A esquilinha Babi também descobriu isso.

Quando Babi nasceu, sua mamãe adorava manteiga de amendoim. Ela comia manteiga de amendoim o tempo todo e suas patinhas ficavam sempre com esse aroma. Por causa disso, desde bebê, Babi passou a amar aquele cheirinho que lembrava sua mãe. Quando Babi abraçava a mamãe, era como se mergulhasse em uma nuvem de cheiro doce.

Histórias curtas para dormir - O perfume da mamãe esquilo
O perfume da mamãe esquilo

E um dia esse cheiro até a salvou. Aconteceu numa tarde chuvosa. A chuva caía forte, como se estivessem descendo rios do céu. A água na floresta começou a subir, e os animais ajudavam uns aos outros a se esconder e a subir nos galhos mais altos. Pelo bosque inteiro se ouviam vozes: “Aqui! Venha por aqui! Eu te ajudo! Suba! Me dê sua patinha!”. Os animais tentavam fugir da água, que aumentava e corria pelos caminhos da floresta. A esquilinha também tentava se esconder. E conseguiu. Ela subiu para o galho mais alto, junto com outras esquilas. Todas se agarravam firme ao tronco, esperando a chuva passar, a água se acalmar e finalmente baixar.

Demorou um pouco, mas por fim a água começou a diminuir. Logo chegaram alguns passarinhos, avisando: “O chão está seco, vocês podem descer das árvores. Está tudo bem. Sobrevoamos tudo e verificamos. Está seguro!”. Os animais saíram de seus esconderijos, desceram dos galhos e foram ver o estrago que a chuva tinha feito. Alguns procuravam seus amigos ou irmãos, pois quando começou a chover todos correram para se esconder em lugares diferentes. E Babi também procurava sua mamãe.

Ela saltou de árvore em árvore chamando: “Mamãe, onde você está?!”. Depois de um tempo, Babi já tinha procurado em quase todos os lugares e estava cansada. Sentou-se na ponta de um galho, triste, sem saber o que fazer. Mas, de repente, ela sentiu um cheiro diferente. Primeiro um, depois outro, depois mais um. Depois da chuva, muitos cheiros se misturavam na floresta: cheiro de flores, de musgo, de samambaias, de cogumelos… E então a esquilinha teve uma grande ideia: “Claro! Vou encontrar a mamãe pelo cheiro. Só ela tem cheiro de manteiga de amendoim!”. Na mesma hora, ela voltou a procurar, pulando de galho em galho. Levantou o focinho o mais alto possível e cheirou o ar. Depois tentou em outro galho, e depois em mais outro, até que finalmente sentiu um pouquinho do cheiro de manteiga de amendoim. Babi respirou fundo outra vez, pulou para onde o cheiro estava mais forte e foi se aproximando.

O perfume da manteiga de amendoim ficava cada vez mais intenso. Então Babi acelerou, seguindo a trilha do perfume da mamãe. E, entre os galhos, ela encontrou a mamãe, que também olhava para todos os lados, procurando pela esquilinha. Quando se viram, saltaram uma para a outra e se abraçaram bem forte. Babi ficou muito feliz. Encostou a cabecinha no colo da mamãe e sentiu de novo aquele cheirinho tão conhecido de manteiga de amendoim.

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