Os guardiões do tesouro no fim do arco-íris

Lá nos tempos antigos, as pessoas acreditavam que no fim do arco-íris havia um tesouro. E, como tesouro é algo que todo mundo quer, muitas vezes as pessoas saíam correndo atrás do arco-íris para encontrar o tesouro e roubá-lo.

Já se sabe há muito tempo que o dinheiro pode estragar as pessoas. Por isso, é preciso proteger esse tesouro. Vocês conseguem imaginar se alguém encontrasse um tesouro tão grande assim? É bem possível que começasse uma grande confusão.

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Os guardiões do tesouro no fim do arco íris

No fim do arco-íris mora uma grande família de duendes, que as pessoas nunca viram. Eles se escondem, fogem das pessoas e, acima de tudo, protegem o tesouro. Sempre que começa a garoar, a aldeia inteira dos duendes fica em alvoroço, esperando para ver o que vem depois. Se, de repente, o sol dá as caras, aparece um arco-íris.

Os duendes sabem que as pessoas também enxergam o arco-íris. E sabem que, muitas vezes, os olhos delas começam a brilhar pelo dinheiro. E famílias inteiras saem correndo com sacolas, malas ou sacos de pano, e tentam chegar ao fim do arco-íris para pegar ao menos um tiquinho do tesouro lendário.

Quando o sol aparece, todos os duendes juntam suas forças e empurram o arco-íris para frente, até o sol se pôr de novo e o arco-íris sumir dos olhos das pessoas. 

Os duendes têm jeitos diferentes. Alguns são esforçados e caprichosos. Outros, desligados e preguiçosos. Mas todos protegem o tesouro com as melhores intenções. 

Nem sempre proteger o tesouro é fácil. Muitas vezes, quando os primeiros raios de sol aparecem no meio da chuva, começa um grande alvoroço na aldeia dos duendes.

Foi exatamente o que aconteceu naquele verão, alguns anos atrás. 

O jovem duende Beto decidiu, com sua turminha, descansar depois de um almoço bem reforçado. “Amigos, eu comi até ficar bem cheio. E vocês, não? Venham comigo. Vamos nos esticar e descansar um pouco”, disse Beto aos amigos. 

“É, Beto, hoje está com cara de ser um dia bem chato. Vamos com você tirar um cochilo”,  responderam os amigos. A turminha de duendes foi pela floresta, se deitou debaixo de uma folha enorme de bardana e dormiu um sono pesado, sem nada para atrapalhar. 

Foi então que, de repente, desabou um temporal, e a vilazinha dos duendes ficou num alvoroço só. Em cima de Beto e da sua turma, debaixo da enorme folha, não caiu nem uma gotinha. Eles seguiram dormindo, tranquilos. 

De repente, o sol voltou a brilhar, e os duendes correram até o arco-íris, tentando empurrá-lo para a frente. Mas o arco-íris não se mexeu nem um pouquinho. “Como isso é possível?”, gritou um dos duendes. 

Então, todo mundo entendeu: estava faltando um par de mãos bem fortes. E, naquele instante, eles já viam as pessoas se aproximando, com as mochilas vazias, prontas para enchê-las de tesouros. 

Debaixo da folha grandona, Beto e sua turma ainda dormiam, quando, de repente, uma abelha pousou bem no nariz de Beto. Assustados, eles saíram correndo rapidinho até o arco-íris.

Ainda bem que os duendes têm perninhas mais ligeiras do que as das pessoas. Assim, logo alcançaram os outros duendes, ajudaram no trabalho e foram empurrando o arco-íris cada vez mais para longe. 

O arco-íris sumiu da vista das pessoas, e elas, desanimadas, voltaram para casa.

Beto ganhou o respeito dos duendes como prêmio por ter concluído seu aprendizado. Desde então, ele passou a acompanhar bem de perto a previsão do tempo e nunca mais se escondeu debaixo de uma folha de bardana só para ficar em paz. E é por isso que nós, humanos, nunca conseguimos chegar ao fim do arco-íris.

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