Em uma fazenda, cercada por uma natureza linda, morava uma pequena família. Essa família vivia da venda do que plantava no campo e do leite que a vaquinha deles produzia.
A fazenda era modesta e, por isso, a família também vivia de forma simples. Mesmo assim, as pessoas iam até lá comprar com o maior prazer. Elas sempre gostavam de voltar a um lugar bonito, para comprar alimentos de qualidade de vendedores simpáticos.

Naquele ano, as coisas não estavam indo muito bem para o fazendeiro. Quase no fim da primavera, vieram as geadas, e no verão, novamente chuvas torrenciais e frequentes, que destruíram quase toda a colheita. A vaquinha ficou doente e, assim, parou de dar leite. Em outras palavras, o azar parecia viver atrás deles.
“Mamãe, se continuar assim, no ano que vem a gente nem semeia”, disse o fazendeiro.
“Meu Deus, e do que vamos viver?”, assustou-se a fazendeira.
O fazendeiro começou a ficar aflito, pensando em como sustentaria a esposa e a filha, Bete. O começo da nova temporada ainda não parecia bom para a colheita, mas ele decidiu que não desistiria tão facilmente.
Numa manhã, ao sair de casa, Bete viu no chão, um lindo trevo de quatro folhas. Ficou tão feliz que correu para mostrar à mamãe. Era a primeira vez na vida que ela via um trevo de quatro folhas. Era uma grande raridade.
Naquela tarde, como num milagre, a vaquinha sarou e voltou a dar leite. O fazendeiro contou a novidade na vila, e as pessoas voltaram a aparecer para comprar. Era de se espantar quanto leite a vaquinha passou a dar de repente.
Na manhã do dia seguinte, quem saiu primeiro de casa foi o fazendeiro. Ele olhou para os pés e teve que sorrir. “Ora, veja só! Um trevo de quatro folhas tão bonito, eu não via um há muito tempo”, pensou.
E assim foi, todas as manhãs, até a primavera, quando, de repente, a colheita começou a parecer muito promissora. Os cereais, a beterraba e as batatas iam muito bem. As macieiras floresceram lindamente.
“Mamãe”, Bete entrou correndo em casa um dia, “eu vi um gatinho lindo na praça da vila. Ele veio atrás de mim o caminho todo. A gente pode ficar com ele?”, implorou Bete.
“Claro que não, Bete, você sabe muito bem como anda a nossa colheita agora. Mal conseguimos sustentar a nós mesmos, quanto mais uma boca faminta. A natureza é imprevisível e pode estragar a nossa colheita de novo”, respondeu a mamãe.
Bete ficou muito triste. Pelo menos, ela podia ver o gatinho todos os dias na praça da vila, e os dois se entendiam muito bem.
Naquele ano, o fazendeiro teve mesmo um ótimo ano. A vaca dava leite, e a colheita foi farta. O fazendeiro fez boas reservas para o inverno e também vendeu muita coisa.
Num dia de outono, o fazendeiro e a fazendeira estavam sentados à janela e conversavam sobre a vida. De repente, viram o gatinho preferido de Bete andando por ali, com algo verde preso na boca. Você acertou: era um trevo de quatro folhas.
O ano inteiro, ele levava trevos de quatro folhas para a porta da casa, para dar sorte ao fazendeiro. Foi graças ao gatinho que a fazenda, enfim, começou a prosperar.
“Fazendeiro, um gatinho tão lindo assim tem que ficar com a gente!”, disse a mamãe ao fazendeiro. “Devemos muito a ele e, pelo visto, ele nos traz abundância.”
Trevos de quatro folhas são mesmo raros. Não é todo mundo que encontra. Dizem que cada folhinha significa uma coisa diferente: esperança, fé, amor e sorte.
Bete ficou toda animada com o novo companheiro. Deram ao gatinho o nome de Trevinho. Desde então, a fazenda prosperou, a colheita foi farta e a família viveu feliz, sempre com um pouquinho mais de sorte do que antes.