A aldeia escura

Em um país distante, vivia um jovem chamado Pedro. Ele trabalhava em uma fazenda como pastor de ovelhas e levava uma vida tranquila. Até que, certo dia, o fazendeiro para quem trabalhava o dispensou. O fazendeiro explicou que, naquele ano, a colheita havia sido ruim e já não tinha condições de mantê-lo empregado. 

Sem outra escolha, Pedro decidiu sair pelo mundo em busca de trabalho. Levou consigo um pouco de comida e água para a viagem e deixou sua aldeia natal. Caminhou sem destino por vários dias, até que seus mantimentos começaram a acabar. 

Rozprávka na dobrú noc - A aldeia escura
A aldeia escura

Ao anoitecer, pensou que precisava encontrar um lugar onde pudesse descansar e comer antes de continuar sua jornada. Pouco tempo depois, avistou ao longe as luzes de algumas casas. Animado, seguiu naquela direção e chegou a uma pequena aldeia.

Naquela aldeia havia uma pequena hospedaria. Como estava cansado da longa viagem, Pedro resolveu entrar e pedir um lugar para descansar. “Boa noite. Venho de uma terra distante e estou viajando há muitos dias. Será que posso passar a noite aqui e comer alguma coisa? Tenho apenas algumas moedas de ouro. Espero que sejam suficientes”, disse Pedro, mostrando as moedas que trazia no bolso. 

O hospedeiro era um homem muito bondoso e respondeu: “Guarde esse dinheiro, meu filho. Você ainda vai precisar dele na viagem. Vou lhe servir uma sopa bem quentinha e cobrar apenas por ela, e lá nos fundos há um sofá com um cobertor. Não é muito, mas acho que você vai descansar bem”. 

Pedro sorriu e disse, muito agradecido: “Muito obrigado! O senhor é muito gentil. Um dia vou encontrar um jeito de retribuir sua bondade”.

Depois de comer, Pedro ficou conversando por um bom tempo com o velho hospedeiro. Quando o sono chegou, foi até o pequeno sofá e adormeceu rapidamente. Algum tempo depois, ele acordou. Olhou ao redor e percebeu que ainda estava tudo escuro. Ele se espantou que ainda fosse noite e, então, levantou-se e foi para a sala da hospedaria. 

O hospedeiro já estava de pé, preparando a comida que serviria aos hóspedes naquele dia. Ao ver Pedro, ele comentou rindo: “Eu já estava achando que você não ia acordar”.

Pedro olhou pela janela e perguntou: “Mas por que ainda está tão escuro?”. 

O hospedeiro suspirou e respondeu: “Há muitos anos, uma feiticeira lançou um feitiço sobre esta aldeia. Desde aquele dia, o sol nunca mais apareceu. Eu era apenas um menino quando vi os raios de sol e senti o calor dele pela última vez. Diz a lenda que somente o pó do sol pode trazer a luz de volta. Mas ninguém sabe onde encontrá-lo”. 

Pedro achou a história surpreendente. Se não tivesse visto aquela escuridão sem fim, ele não teria acreditado. “Nunca vi nada parecido. Mas, se houver algum jeito de ajudar, eu vou tentar”, disse. 

Depois de agradecer ao bondoso hospedeiro por tudo, ele seguiu viagem. Enquanto caminhava, perguntava às pessoas se alguém conhecia o misterioso pó do sol, mas todos apenas riam, dizendo que aquilo não existia. 

Mesmo assim, Pedro não desistiu. Depois de muito andar, encontrou uma velhinha com um sorriso gentil que escutou a história com atenção. “Meu jovem, esse é um problema muito sério. Eu não sei onde encontrar o pó do sol, mas, no alto daquela montanha, vive uma fada encantada. Talvez ela saiba como ajudá-lo”. Ela apontou para a montanha, cujo topo quase tocava as nuvens. 

Pedro agradeceu e, sem perder tempo, começou a subir a montanha. Em pensamento, ele achava engraçado estar procurando por uma fadinha. Mas, depois de uma longa subida, ele avistou uma torre muito alta no topo da montanha. De uma de suas janelas vinha uma linda canção de uma voz suave. 

Pedro gritou: “Olá! Tem alguém aí? Preciso de ajuda!”. 

Logo uma pequena mulher apareceu na janela. Ela usava roupas brilhantes que pareciam feitas de estrelas e segurava uma varinha mágica: “Quem é você, jovem? O que procura? E quem o enviou até aqui?”, perguntou a fada. 

O rapaz respondeu: “Meu nome é Pedro. Venho de uma aldeia onde o sol desapareceu há muitos anos. Dizem que apenas o pó do sol pode trazer a luz de volta. Uma bondosa velhinha que encontrei pelo caminho disse que talvez você pudesse me ajudar”.

“Bem, faz muito tempo que ninguém vem até aqui com um problema como esse. Espere só um instante”, disse a fada com um sorriso. Ela voltou para dentro da torre e pouco depois, pela janela, começaram a surgir pequenos clarões coloridos que brilhavam como um arco-íris. 

Em seguida, a fada desceu até Pedro e lhe entregou um pequeno saquinho: “Aqui está o pó do sol. Acho que esta quantidade será suficiente para salvar a sua aldeia. Espalhe o pó ao vento e o sol voltará a brilhar”. 

Pedro segurou o saquinho com todo o cuidado, e fez uma reverência, agradecido. Sem perder tempo, saiu correndo de volta à aldeia. Assim que chegou, foi direto à hospedaria. Ao encontrar o velho hospedeiro, ele anunciou radiante: “Eu consegui! Encontrei o pó do sol!”. 

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