Os dois duendinhos bagunceiros

Em uma casinha moravam dois duendinhos, Rico e Nico. E esses dois não gostavam nem um pouco de arrumar a bagunça que faziam. Tudo começou com o primeiro pacotinho de biscoito jogado no chão.

“Ah, Nico, eu não estou nem um pouco a fim de pegar isso”, disse o duendinho Rico.

“Então deixa aí. Pelo menos assim a gente não vai precisar ficar levando o lixo para fora toda hora”, respondeu Nico.

Histórias para dormir - Os dois duendinhos bagunceiros
Os dois duendinhos bagunceiros

Ele estava terminando de comer uma banana e jogou a casca para trás, no chão mesmo.

E era assim com tudo. Tudo o que abriam, jogavam para trás e deixavam no chão. E se fosse só embalagem, ainda ia… Mas eles também jogavam comida que não tinham terminado, guardanapos usados para limpar a boca e lenços de papel sujos de tanto assoar o nariz.

Você consegue imaginar como a casinha deles logo ficou: super bagunçada e com um cheiro horrível. Os duendinhos já estavam andando com lixo até a cintura e nem tinham mais lugar para brincar. Tinha bagunça por todo lado.

Mas isso ainda não incomodava os dois. Eles até levaram para casa uma daquelas pás de tirar neve no inverno. Quando precisavam de espaço, era só empurrar a bagunça para longe.

Depois de uma semana, o lixo já estava até o pescoço. Além disso, Rico e Nico pararam até de lavar a louça, então viviam tropeçando nela. De tanta bagunça, nem viam os pratos no chão.

Não ter onde comer não era problema para eles. Eles só comiam doces, nem precisavam de louça! E ainda cantavam e caíam na risada:

“Terminamos, está dado o recado,
não tem mais onde colocar a louça, não.
Para onde olho, só vejo bagunça
para todo lado, sem fim, então!”

Na semana seguinte, os duendinhos já nem conseguiam enxergar pela janela. Eles se enfiavam na bagunça, que deixava a casinha cheia até o teto. E tudo cheirava igualzinho a uma lixeira.

Os duendinhos até andavam pelados, porque nem lavavam mais as roupas. As sujas eram jogadas no chão, e as limpas já tinham acabado.

E foi aí que, finalmente, a situação começou a incomodar os dois.

“Nico! Onde você está? Eu não estou te vendo!”

“Aqui, Rico… À direita dos saquinhos com resto de batatinha e à esquerda do copo de leite mofado. E você, onde está? Na cozinha?”

“Não, não. Tropecei numa panela queimada com batatas no banheiro. Caí, mas ainda bem que foi em cima da pilha de roupa suja.”

“Tem alguma coisa muito fedida aqui, Nico.”

“O que será que é?”, se espantou Rico.

“Talvez sejam minhas meias velhas… Ou aquela sopa estragada. Ou porque a gente não lavou o banheiro. Rico, acho que vou ficar doente. Estou me sentindo estranho”, disse Nico.

“Eu também estou me sentindo mal. Estou enjoado, acho que vou vomitar. E estou com calor… com certeza estou com febre.”

Nesse momento, do nada, apareceu uma boa fada da faxina, que ouviu o desespero deles.

“Vocês estão doentes por causa dessa bagunça!”, reclamou a fada assim que apareceu.

Os duendinhos Rico e Nico quiseram se ajoelhar, mas isso era difícil com tanta pilha de lixo. Eles começaram a pedir e implorar para que a fada os ajudasse.

“Boa fada, por favor, nos ajude a consertar isso! A gente não aguenta mais essa bagunça e esse fedor”, imploravam os duendinhos.

“Vou ajudar vocês, mas prometam que vão ser limpinhos e sempre vão arrumar toda a bagunça depois. Senão vou deixar vocês aqui, fedendo no lixo para sempre.”

“Prometemos, prometemos!”, gritavam os duendinhos, ao mesmo tempo.

“Então tá bom”, disse a fada. Ela pegou um pano mágico, balançou três vezes para a direita, três vezes para a esquerda e depois exclamou:

“Bagunça de cá, bagunça de lá,
antes que eu gire três vezes,
tudo vai ficar limpo já!”

Nesse momento, as coisas começaram a acontecer. O lixo foi jogado fora e sumiu dali, porque senão não caberia tudo lá dentro. A roupa pulou sozinha para dentro da máquina de lavar, a louça se lavou na pia, o aspirador de pó pulou do armário e saiu aspirando o chão, e atrás dele vinha o esfregão, passando pano.

Antes que a fada girasse três vezes, a casinha já estava um brinco. Tudo brilhava de tão limpo e cheirava gostoso. A roupa estava lavada e guardada no armário, e a louça, lavada e no seu lugar.

Mesmo assim…

“Tem sempre alguma coisa fedendo aqui”, farejou Nico.

“Vão se lavar. Os dois”, ordenou a fada.

Os duendinhos estavam sujos e fedorentos de tanto lixo. Tiveram que usar quatro sabonetes cada um até ficarem bem limpinhos. Depois do banho, se sentiram muito melhor e nem ficaram enjoados.

Depois, sentaram à mesa, comeram uma bananinha, mas não jogaram a casca no chão. Nenhum deles. Os dois levaram até o lixo.

Eles sabiam que, da próxima vez, a fada não ajudaria. E eles poderiam ficar doentes por causa da sujeira. Talvez acabassem se perdendo de verdade e para sempre no meio daquele lixo.

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