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Contos para dormir - Cerejas envenenadas

Histórias para Dormir

Cerejas envenenadas

Julia U.15 de julho de 20264 min de leiturapara a idade escolar

Era uma vez, em um castelo bem ensolarado, um rei que tinha uma única filha chamada Paula, que todos conheciam como Paulinha. Eles viviam felizes até o dia em que o rei percebeu o quanto sentia falta da esposa que já havia partido e decidiu se casar novamente.

No começo, Paulinha ficou contente. O pai parecia mais alegre por ter encontrado um novo amor. Mas, quando a madrasta e a filha dela, Ana, se mudaram para o castelo, tudo mudou num piscar de olhos.

A nova rainha deixou de ser gentil e bondosa. Passou a gritar e reclamar com Paulinha o tempo todo, enquanto mimava Ana, comprava vestidos caros, joias reluzentes e sempre tirava dinheiro do rei para agradar apenas a própria filha.

Paulinha tentou conversar com o pai. Será que ele não percebia como a esposa tinha mudado? Mas o rei estava tão feliz por não estar mais sozinho, tão apaixonado, que não enxergava o que a filha via claramente. Mesmo assim, Paulinha guardava no coração a esperança de que, um dia, a justiça chegaria. E esse dia acabou chegando.

Certa manhã, a madrasta foi até Paulinha para contar, cheia de orgulho, que havia encontrado para Ana um homem rico e respeitado, que viria ao castelo para pedi-la em casamento. Em seguida, mandou Paulinha ajudar no preparo do almoço e ficar o mais quietinha possível, enquanto ela arrumava Ana com roupas bonitas.

Quando o visitante importante chegou, todos se sentaram à mesa. Paulinha comia em silêncio, enquanto a madrasta elogiava a própria filha sem parar. Na verdade, Paulinha se sentia bastante incomodada com a companhia deles. O pretendente não falava de outra coisa além das próprias riquezas e parecia muito com a madrasta e Ana.

Ao se despedir, porém, ele disse algo inesperado:

“Até o fim da semana eu volto para anunciar minha decisão. Afinal, aqui há duas moças para casar, e nenhuma delas é de se desprezar.”

Com essas palavras, foi embora. A madrasta ficou furiosa.

À noite, ela fez planos com a filha no quarto e disse em voz baixa:

“Se queremos que ele escolha você, precisamos dar um jeito na Paulinha. E eu já tenho um plano. Amanhã vou oferecer cerejinhas bem doces para ela, mas antes vou envenená-las. Assim, o rei não terá escolha, e o reino será seu.”

O que a madrasta não percebeu foi que deixou a porta entreaberta. Paulinha, passando pelo corredor, ouviu tudo.

No dia seguinte, a madrasta apareceu com um prato cheio de cerejas lindas e brilhantes e ofereceu a Paulinha. A menina recusou.

“Por que, minha filha? Elas parecem tão gostosas”, disse o rei, surpreso.

“Podem até parecer, mas estão envenenadas. Eu ouvi tudo!”, respondeu Paulinha.

“Como você sabe disso?”, perguntou a madrasta, pálida de susto.

Quando o rei entendeu que a própria esposa havia planejado fazer mal à sua única filha, não pensou duas vezes. Mandou expulsar a madrasta e Ana do reino imediatamente.

Com a partida delas, a paz voltou ao reino. O rei passou a ouvir mais a filha, e Paulinha voltou a sorrir como antes. O castelo se encheu novamente de risadas, música e dias tranquilos, e todos aprenderam que a bondade e a verdade sempre encontram seu caminho.

4.6 de 5 · 86 avaliações

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1 comentário

  1. Eloisa vitória amei deveria fazer mais dessas

    Gostei muito da história arrasou

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