Patrick era um gatinho muito bonito, peludo e amigo de todos. Ele morava em uma casinha com seus donos, que sempre lhe davam comidas deliciosas. Durante o dia, Patrick adorava passear pelos telhados, subir em árvores ou simplesmente andar por aí explorando.
Um dia, uma família de pardal fez um ninho embaixo do telhado da casa dele. No começo, eles ficaram com medo do gatinho. Mas logo perceberam que ele era muito bondoso, e todos viraram amigos.

Com o tempo, Patrick e o pardalzinho filhote ficaram inseparáveis. Eles faziam tudo juntos: inventavam brincadeiras no quintal, como pistas de obstáculos para correr e pular. E quando saíam para passear, Patrick às vezes carregava o pardalzinho na boca, porque o pequenino se cansava rápido. As outras pessoas achavam que Patrick tinha comido o passarinho, mas os dois riam muito disso.
Um dia, uma gatinha branca se mudou para a casa ao lado. Ela era linda! Tinha olhos verdes brilhantes e andava com tanta elegância que Patrick não conseguia parar de olhar. “Como ela é graciosa… e aqueles olhos!”, suspirou Patrick no telhado. “De quem você está falando?”, perguntou o pardalzinho. “Da nova gatinha da vizinha. Quando ela passa e olha pra mim… minhas pernas até tremem!”, respondeu Patrick, todo envergonhado.
“Então por que você não fala com ela? Convida para comer alguma coisa gostosa! Ou eu posso buscar um petisco na lixeira!”, sugeriu o pardalzinho. “Ah, eu não sei o que dizer e nem como falar com ela. Você precisa me ajudar!”, pediu Patrick. O pardalzinho pensou, pensou, e então contou: “Meus pais me disseram que, antes de chamar minha mãe para sair, meu pai fez um tipo de dança para chamar a atenção dela. Ele voou por cima dela, girou e bateu as asinhas. Parecia que estava dançando no ar! Minha mãe achou lindo e depois… bem, eu nasci!”.
Patrick achou a ideia ótima e resolveu tentar impressionar a gatinha branca, mesmo sem saber voar. O pardalzinho ficou no quintal olhando enquanto Patrick se levantava apoiado nas patas traseiras e mexia as patas da frente como se estivesse batendo asas. Ele balançava o rabinho, rebolava e dava pulinhos. Estava tentando dançar! Mas era difícil ficar equilibrado assim. E, para completar, a cena era engraçadíssima: um gatinho dançando em pé, pulando e fingindo que voava, girando em volta de um pardalzinho.
Bem quando Patrick já estava quase caindo de cansaço, a gatinha branca passou. Ela parou, olhou, e quando Patrick despencou no chão como uma panqueca, ela não aguentou e começou a rir. Patrick ficou roxo de vergonha. Ele sabia que ela tinha visto tudo!
Mas a gatinha branca não estava rindo por maldade. Ela era muito gentil. Veio até Patrick e o pardalzinho e perguntou o que eles estavam fazendo. Antes que Patrick pudesse falar qualquer coisa, o pardalzinho tagarela contou tudo: eles estavam treinando um “ritual de conquista” para impressionar a gatinha. Ela ficou toda corada quando percebeu que Patrick estava fazendo aquilo por causa dela. “Você não quer dar uma voltinha comigo no telhado?”, perguntou, tímida. Patrick ficou tão feliz que até deu um salto! Eles começaram a caminhar juntos, e o pardalzinho, claro, voou atrás deles, animado, ajudando os dois a ficarem menos tímidos.
E assim Patrick descobriu que, às vezes, não tem problema passar um pouquinho de vergonha. Mesmo que a gente pareça engraçado, o que importa é tentar. E tentar algo por alguém que a gente gosta é sempre muito bonito.