Numa casinha perto de uma floresta mágica morava um menino chamado Daniel. Um dia, enquanto ele ajudava a mamãe na horta, apareceu um coelhinho muito fofinho. Ele contou que tinha se perdido e que morava na floresta. Os dois procuraram juntos e acharam o caminho de volta. Assim, o coelhinho pôde chegar em casa de novo.
Desde esse dia, Daniel e o coelhinho viraram grandes amigos e começaram a viver muitas aventuras juntos. E naquele outono, eles tiveram uma missão importante: ajudar um cervinho a trocar os chifres.

O outono estava no auge, com muitas folhas pelo chão, quando Daniel decidiu visitar seu amigo coelhinho na floresta mágica. Na entrada da floresta, havia um portal feito de teias que protegia a entrada de pessoas e criaturas que pudessem fazer mal. Mas Daniel podia passar sem problemas, porque sempre ajudava todo mundo e nunca fazia bagunça. Os animais já eram seus amigos e gostavam muito dele.
Enquanto caminhavam, entre as samambaias, Daniel e o coelhinho ouviram um chorinho baixinho: “E agora, o que eu vou fazer? Assim não posso receber o inverno. Pareço um bobo… já devia ter conseguido!”.
“Coelhinho, você ouviu isso?”, perguntou Daniel. O coelho colocou a patinha no focinho, pedindo silêncio. Depois olhou ao redor bem devagar. Então apontou para baixo de uma árvore grande: “Olha ali!”. Daniel olhou e viu um cervinho esfregando a cabeça no chão, na terra e no tronco. Ele parecia muito preocupado. Os dois se aproximaram.
“O que aconteceu? Por que você está raspando a cabeça assim?”, perguntou Daniel. O cervinho suspirou e explicou: “É outono e todos os cervos precisam trocar os chifres. A gente recebe o inverno com a cabeça limpinha. Mas todos os meus amigos já tiraram os deles… só eu não! Eles não caem de jeito nenhum. Que vergonha!”.
Daniel examinou os chifrinhos: “Olha, eles não parecem ruins. Deve ter um jeito de ajudar”. “Claro que tem! Estamos numa floresta mágica”, disse o coelhinho, animado. Ele pensou, pensou e teve uma ideia: “Daniel, corre e chame a coruja! Diga para ela chamar todos os passarinhos da floresta. Já sei qual magia pode ajudar o cervinho!”.
Daniel saiu correndo, porque sabia que o inverno estava chegando. Quando encontrou a coruja, contou tudo rapidinho. Ela chamou todos os pássaros e voou com eles até o cervinho.
Quando todos estavam reunidos, o coelhinho explicou o problema e disse: “A magia que precisamos é a de vocês: a magia do voo! Coruja, diga a palavra mágica. Pássaros, fiquem prontos. E você, cervinho, fique bem quietinho e levante a cabeça. Vai dar tudo certo”.
A coruja abriu as asas e falou bem alto: “Pássaros da floresta, venham ajudar! Dou a vocês o poder de transformar. Usem suas asas, usem sua força. Que tudo volte ao seu lugar. Que nosso amigo fique em paz!”.
Os passarinhos começaram a voar em círculo bem acima da cabeça do cervinho. O vento ficou mais forte e formou um redemoinho cheio de cores. Era tão bonito que Daniel nem piscava.
Depois de alguns minutos, o vento parou e os pássaros pousaram no chão. “Pode abrir os olhos, amigo”, disseram. O cervinho abriu os olhos, mexeu a cabeça e não sentiu mais os chifres! Olhou para baixo e lá estavam eles, caídos no chão. Ele pulou de alegria.
”Obrigado, amigos! Agora posso receber o inverno direitinho. Coelhinho, você me salvou. E você, Daniel, mostrou mais uma vez que merece viver aventuras com a gente na floresta mágica!”.
Daniel ficou muito feliz. Ele tinha ajudado mais um amigo e vivido outra aventura incrível. Agora estava animado para a chegada do inverno e curioso para saber quais surpresas viriam a seguir.