Era uma vez uma pequena casinha nos arredores da aldeia, onde viviam uma mamãe e sua filhinha. A mamãe era muito feliz com sua filha, embora ela fosse sempre frágil e adoentada.
Desde o nascimento, Bethinha, como todos a chamavam, sofria de uma doença nos pulmões, e ninguém sabia como ajudá-la. Nem os médicos da aldeia, nem os curandeiros conseguiam. A única recomendação que deram à mamãe foi viajar pelo mundo em busca de outros médicos, mas a família não tinha dinheiro para isso.

A mamãe vivia sozinha com a filha, pois o pai havia morrido na guerra, e o trabalho na padaria mal dava para sustentar as duas ao longo do mês. A única alegria de verdade vinha de sua pequena Bethinha, que todos os dias ficava ansiosa esperando a mamãe voltar do trabalho para não ficar sozinha.
Naquele dia, como em todos os outros, a mamãe voltou do trabalho e acariciou os cabelos loirinhos da filha.
“Como foi o seu dia hoje?”, perguntou.
“Um pouco melhor. Hoje não doeu nada. Brinquei com o senhor Lebre e cozinhei para ele.”, respondeu a menina, sorrindo debaixo do cobertor, enquanto abraçava seu coelhinho de pelúcia.
“Que bom! Você é muito esperta. Com certeza o senhor Lebre se divertiu muito com você!”, sorriu a mamãe, antes de começar a ler histórias para Bethinha.
De manhã, a mãe se despediu novamente da filha e foi trabalhar. Parecia um dia comum, até que um homem desconhecido entrou na padaria. A aldeia não era tão grande, mas ela nunca tinha visto aquele homem por ali. Tinha uma aparência estranha: vestia um longo casaco marrom e, sob o grande chapéu, quase não se via o rosto.
“Olá, o que deseja?”, perguntou a mãe de Bethinha.
“Estou viajando por estas terras e estou com muita fome. Não tenho dinheiro, mas esperava conseguir ao menos um pedaço de pão em troca destas ervas preciosas que encontrei pelo caminho.”, disse ele, tirando de sob o casaco um saquinho cheio de ervas medicinais.
“Talvez isso me seja útil. Minha filhinha está doente desde o nascimento, e até agora nada a ajudou.”, disse a mãe, observando pensativa as ervas.
“E o que ela tem?”, perguntou o homem.
Ela contou toda a história da doença da filha e tudo o que já haviam tentado.
“Não sei se essas ervas são tão especiais, mas pelo caminho encontrei um feiticeiro do outro lado da montanha. Posso procurá-lo e perguntar se ele pode ajudá-la. Voltarei amanhã.”, disse o viajante.
A mãe concordou. Não acreditava em feiticeiros, mas daria uma chance a qualquer coisa para que sua filha ficasse saudável. Em agradecimento, embrulhou um pão para ele e esperava que voltasse no dia seguinte com alguma ajuda.
No dia seguinte, a mamãe ficou preocupada, pois o homem demorou a aparecer, mas finalmente entrou na padaria.
“Tenha um belo dia! Estive com o feiticeiro, e ele realmente tinha algo.”, disse o viajante, tirando de baixo do casaco uma gaita.
“E o que é isso agora? Como isso vai me ajudar?”, perguntou a mãe, surpresa.
“É uma gaita mágica. Se você tocar para sua filha todas as manhãs, ela ficará saudável. A melodia é curativa. Em troca, peço apenas mais um pedaço de pão.”, explicou o homem.
A mãe concordou e desta vez embrulhou também um bolo de nozes fresquinho e alguns pãezinhos. Durante todo o dia, ela não via a hora de chegar em casa e testar a gaita mágica.
Assim que terminou o turno de trabalho, correu para casa e tocou a gaita para Bethinha. E aconteceu um verdadeiro milagre: nos primeiros acordes, a menina começou a se erguer da cama, finalmente se pôs de pé e correu ao redor da mamãe, exclamando como a música era linda. A tosse não voltou a incomodá-la, e Bethinha ficou saudável desde então.
A mamãe sempre esperava encontrar o viajante novamente para agradecê-lo, mas nunca mais o viu em toda a sua vida.