As fadas encantadas

Era uma vez uma menininha que adorava passear pelo mundo afora. Vivia apenas com a vovó, a quem sempre ajudava da melhor forma que conseguia. E, quando lhe sobrava tempo, costumava brincar no descampado perto de casa. Gostava de correr atrás das borboletas e trançar coroas de flores.

Naquele dia, Aninha passou horas ajudando a avó no jardim, depois foi colher ervas para fazer chá e ainda carregou lenha para o forno. Ao anoitecer, enquanto jantavam juntas, Aninha perguntou:

Histórias para dormir pequenas - As fadas encantadas
As fadas encantadas

“Vovó, posso ir um pouquinho até o descampado? Quero ver o pôr do sol.”

 “Minha criança, mas já está tarde…”, respondeu a avó, assustada.

“Só por um instantinho…”, insistiu Aninha.

A vovó acabou cedendo, mas a advertiu: antes de escurecer, deveria estar de volta. Aninha assentiu, calçou seus sapatinhos cor-de-rosa e saiu correndo pelo descampado. 

Colhia flores de todos os tipos para levar um buquê à avó. Encontrou miosótis azuis, violetas e também dentes-de-leão, que enfeitavam o campo naquela estação. Nem percebeu que já havia anoitecido. Estava prestes a voltar para casa quando avistou uma pequena luz dentro de uma caverna no fim do descampado.

Por um instante pensou em correr para casa, pois a avó ficaria preocupada. Mas a curiosidade falou mais alto. Aproximou-se da caverna, espiou para dentro e mal acreditou no que viu: havia fadas por toda parte! Usavam vestidos coloridos, fitas nos cabelos e empunhavam varinhas mágicas.

De repente, uma delas voou até a entrada e notou a menina agachada na grama.

“Ora, ora… alguém nos observa. Quem é você?”, perguntou a fada.

“Eu sou a Aninha. Moro com minha vovó, bem perto do descampado. Venho aqui quase todos os dias, mas nunca tinha visto vocês!”, respondeu a menina, ainda surpresa.

Então uma fada mais velha, de vestido verde, aproximou-se e disse:

“Nós nos lembramos de você. Você nasceu no inverno, durante a maior nevasca daquele ano. Não é verdade, meninas?”

“Mas… como vocês sabem disso?”, espantou-se Aninha, sentando-se numa pedra.

“Somos fadas mágicas. Conhecemos cada pessoa e ajudamos a decidir seus destinos.”, explicou a fada de vestido azul cintilante.

“E você, Aninha, é uma menina obediente?”, perguntou a fada de vestido amarelo, brilhante como o sol.

“Sou sim. Todos os dias ajudo a vovó no que ela precisa. Não costumo ser travessa, só desobedeço às vezes quando não tenho vontade de dormir cedo…”, confessou Aninha. 

As fadas caíram na risada.

“Ora… já que você é tão obediente, receberá presentes de nós três!”, disse a fada mais velha, a de vestido verde.

“Presentes?”, perguntou Aninha, encantada.

A fada de vestido azul aproximou-se primeiro:

O meu presente é a felicidade sem fim. Em tudo o que decidir fazer, você há de prosperar.

Em seguida, veio a fada de vestido cor-de-rosa:

“Eu lhe darei o amor verdadeiro. Quando chegar a hora, encontrará um homem muito belo e bondoso.”

Por fim, a fada mais velha perguntou:

“E você, Aninha, que presente gostaria de receber?”

A menina pensou por um instante e respondeu:

“Quero que minha avó tenha saúde e que nada a faça sofrer.”

A fada sorriu, emocionada:

“Como esse desejo veio do coração, eu o realizarei para você.”

Aninha agradeceu. Como já estava tarde e a noite caíra de vez, as fadas a levaram de volta para casa. A avó estava preocupada, mas Aninha correu logo a contar-lhe toda a experiência mágica que vivera no descampado.

E como foi a vida de Aninha depois disso? Seus dons a acompanharam para sempre. A vovó ficou mais saudável a partir daquele dia. A menina viveu cercada de felicidade, tornou-se uma costureira habilidosa e querida por todos. E, quando completou dezoito anos, conheceu o jovem Jânio, por quem se encantou à primeira vista, graças ao seu bom coração. Os dois se casaram e viveram felizes para sempre.

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