Nossa história começa como tantas outras. Em um reino distante vivia um rei com sua linda filha, a princesa Loreta. Eles eram muito felizes por lá, até que um dragão apareceu voando pelo céu do reino e se instalou numa caverna logo depois da cidade.
O rei ficou preocupado, porque, como todo mundo sabe, dragões adoram comer princesas. Mas, no fundo, ele também achou que seria uma boa oportunidade: talvez aparecesse um herói corajoso, um príncipe encantado para salvar a princesa — e aí, claro, teria casamento.

Só que as coisas não saíram bem assim.
“Querido pai”, declarou a princesa, “já cansei de ser levada por dragões ou de ficar presa por mágicas malvadas esperando algum bobão vir me salvar. Eu não quero mais ser princesa! Quero me defender sozinha e encontrar meu futuro marido por conta própria.”
“Ah, Loretinha, mas apareceu por aqui um dragão! E ele deve querer te comer. O que eu digo pra ele?”
“Não estou nem aí pro dragão”, respondeu a princesa. E então pegou uma espada, montou no cavalo e partiu sem olhar para trás.
O rei suspirou e resolveu ir sozinho até a caverna do dragão.
“Ei, dragão! Você está em casa?”, gritou o rei da entrada.
“Quem é que está me acordando do meu cochilo da tarde?”, resmungou uma voz grossa lá de dentro. “Será que é mais um príncipe com um exército pra me expulsar ou cortar as minhas cabeças?”
“Que nada”, respondeu o rei. “Eu sou o rei daqui e vim te avisar que a minha filha teimosa, a princesa Loreta, não quer mais ser princesa. Foi embora atrás de aventura. E, olha, não temos outra princesa sobrando pra você. Então parece que vai ter que entrar de dieta.”
Da caverna saiu um dragão enorme, com sete cabeças assustadoras, asas poderosas e um rabo comprido. O rei tremia feito vara verde de tanto medo.
“Então você não veio me expulsar?”, perguntou o dragão.
O rei só balançou a cabeça.
“Então vamos ser amigos! Eu não quero mais ser um dragão que come princesas e faz todo mundo ter medo de mim. Quero ser outra coisa… algo que as pessoas gostem. Algo bem fofinho.”
“E o que seria isso? Com esse seu tamanho, vai ser difícil”, arriscou o rei.
“Quero ser um filhote de cachorro! Você joga um graveto pra mim?”
Enquanto o rei jogava gravetos para o dragão e tentava ensinar o bicho a se comportar como um cachorrinho, a princesa Loreta galopava em busca de seu príncipe encantado.
Mas o príncipe, na verdade, ainda estava em casa, no reino vizinho.
O príncipe Miguel discutia com o pai, dizendo que não queria ser príncipe. Que não sabia lutar com espada, nem era bom de cavalo, e que preferia ser enfeitiçado por um feiticeiro para que uma garota corajosa viesse salvá-lo. E lá foi ele, decidido, procurar um feiticeiro malvado.
Quando chegou à floresta encantada, bateu à porta de uma cabana velha e ouviu uma voz:
“O que você quer aqui?”, perguntou um velhinho, espiando pela fresta.
“Quero que o senhor me enfeitice! Eu adoraria ser uma Bela Adormecida ou ficar preso numa torre, vigiado por um dragão. Mas nada de Branca de Neve, porque trabalho não é comigo.”
O feiticeiro ficou olhando um tempo, sem saber se era sério o que ouvia. Depois perguntou:
“E você quer com ketchup ou com maionese?”
“Que pergunta mais boba é essa? O que isso tem a ver com feitiços maus?”, estranhou o príncipe Miguel.
“É que eu já não faço mais feitiços maus”, explicou o feiticeiro. “Cansei dessa vida. Agora eu tenho uma lanchonete. Quer batata frita?”
“Não quero! Quero um feitiço!”, insistiu o príncipe.
“Você é insistente mesmo. Então espere um pouquinho.”
O feiticeiro sumiu lá dentro e voltou com um livro enorme nas mãos.
“Faça a mágica você mesmo. As mágicas estão em ordem alfabética, é só escolher uma. E agora me deixe em paz — estou aprendendo a fazer panquecas e não quero queimar nada.”
Miguel ficou sozinho do lado de fora, com o livro na mão. Sentou-se num tronco e começou a folhear as páginas até encontrar uma maldição que prometia transformá-lo em um lindo peixinho dourado.
“Peixinho dourado… soa bem”, pensou ele.
E então leu as palavras mágicas e, num instante, virou um peixe de verdade! Começou a se debater no tronco, puxando o ar que já não vinha — afinal, peixe não respira fora d’água! Que ideia de girino foi essa, virar peixe na floresta?
Tentou pedir socorro, mas, claro, peixe não sabe gritar.
Por sorte, a princesa Loreta passava por ali montada em seu cavalo. O sol bateu no peixinho, que brilhou tanto que ela o viu na mesma hora.
“Me ajude, me leve pra água e você vai encontrar a felicidade!”, implorou o peixe.
“Onde eu vou arrumar água aqui?”, pensou a princesa, olhando ao redor. Até que viu uma casinha. Derramou um restinho de água da sua garrafinha sobre o peixe e correu até a porta.
“Bom moço, preciso muito de uma panela com água!”, gritou.
O feiticeiro abriu a porta. “Claro, já vou trazer.”
“Deixe aqui fora, que eu vou buscar o peixe!”
Quando ela voltou, a panela já estava lá. Loreta colocou o peixe dentro, mas opa!
“Ai! Essa água era pra estar fria, não quente!”, gritou o peixe.
“Desculpa, foi culpa do feiticeiro!”, explicou a princesa, tirando o peixe rapidinho e batendo de novo na porta.
“E aí, a sopa de peixe ficou boa?”, perguntou o feiticeiro, sorrindo.
“Eu não queria cozinhar! Quero salvar esse peixinho dourado que encontrei se debatendo na floresta.”
“Ah, então me desculpe, linda moça”, respondeu ele, entregando uma panela com água fria.
Loreta colocou o peixinho na panela e voltou para o castelo. Lá, soltou-o no lago do jardim.
O peixinho a olhou e disse: “Eu sou um príncipe encantado. Se você me libertar, vai viver feliz para sempre.”
“Será que você não está inventando essa história?”, desconfiou a princesa.
“Me dá um beijo e você vai ver.”
Ela fez uma careta, mas se esforçou. Fez um biquinho e beijou o peixe molhado, frio e escorregadio. Num piscar de olhos, o peixinho virou um príncipe lindíssimo.
“Viu só? Eu não estava inventando nada!”, falou o príncipe.
“Precisamos contar isso pro meu pai! Onde será que ele está?”, perguntou a princesa.
Os dois voltaram ao castelo. E lá, o que ela vê? Ao lado do trono do rei havia uma casinha de cachorro enorme, e dentro dela um dragão todo à vontade!
“Um dragão! Vou ter que te salvar, princesa!”, exclamou o príncipe. “Mas eu não trouxe minha espada, tudo bem?”
“Tudo bem!”, respondeu o rei, alegre. “Esse é o meu amigo Trombico!”
O dragão abanou o rabão com tanta empolgação que derrubou alguns quadros da parede.
“Ele é meio desastrado, mas você vai se acostumar”, disse o rei.
“Papai, este é o meu príncipe. Eu mesma o salvei!”
“Eu sou o príncipe Miguel”, apresentou-se ele. “Sua filha me salvou. Depois que quase me transformou em sopa de peixe.”
O rei ficou radiante. Mesmo que, no fim das contas, todo mundo quisesse ser outra coisa, a história terminou como toda boa história deve terminar: com casamento e muita alegria.
E, se você acha que isso é o fim, espere só pra saber quem preparou o banquete de casamento: o terrível feiticeiro da floresta! E todos os convidados puderam escolher se queriam ketchup ou maionese.
Gracinha!
Maravilhoso essa história amei demais
Essa é a minha preferida até agr
Cativante essa história, faz se surpreender em cada estrofe.
Muito boa a história!
Meu Filho amou, mas posso dizer que eu amei mais ainda, muito bom ver histórias que desconstroem com tanta beleza e poder mostrar o mundo de forma diferente para o meu filho.