
Histórias para Dormir
Cristina e a Fada do Dente
Quando anoitece e, no lugar do sol, aparecem no céu a lua e as estrelas, coisas estranhas começam a acontecer. Ou melhor, coisas mágicas.
Pouca gente sabe da vida encantada que começa à noite. Mal a última criança fecha os olhinhos, umas asinhas minúsculas começam a bater e a brilhar perto das janelas entreabertas. São as fadas mágicas. Elas voam bem quietinhas, para ninguém ouvir. Em cada janela de quarto de criança, elas acham uma frestinha e entram. Aí dão uma olhada na caminha onde a criança dorme, procurando algum dentinho que tenha caído. Quando acham, levam o dente para o seu reino encantado.
Mas, antes de levar o dente, as fadas espalham um pozinho mágico sobre a cama, para a criança ter sonhos lindos. Às vezes, deixam também uma lembrancinha. Os adultos não conseguem vê-las nem ouvi-las. Nunca. Mas, se alguma criança acordar e ficar bem quietinha, talvez consiga escutar o farfalhar das asinhas e uma vozinha fina tagarelando. É que essas fadas são muito faladeiras.
Uma noite, num quartinho, quando já estava tudo escurinho, uma menina acordou. O nome dela era Cristina. Ela não conseguia mais dormir, então ficou deitada, olhando para o teto. Foi aí que ouviu uma vozinha: “Ai, ai, minhas mãos doem, minhas pernas doem, minhas asas doem. Que trabalho horrível! Esses dentes são tão grandes e pesados. Se pelo menos eu tivesse uma mochila! Desse jeito, meus braços vão cair a qualquer hora.”
Cristina ficou atenta e olhou para a prateleira, de onde vinha a voz. Na beirada, estava sentada uma criaturinha minúscula. Era uma fada! Ela estava ali no cantinho, com as perninhas balançando, e não parava de reclamar. De repente, levantou e saiu voando pela janela entreaberta. Cristina nem acreditou no que tinha visto. Mas tinha certeza de que não era sonho.
Algum tempo depois, um dentinho de Cristina começou a ficar mole. Quando ele caiu, ela o guardou numa caixinha ao lado da cama, torcendo para a fada vir buscá-lo logo. Junto com o dentinho, deixou também uma surpresinha. Ela não tinha esquecido como a fada estava triste, por isso costurou para ela uma mochilinha. À noite, foi dormir e deixou a janela aberta para a fada entrar.
A noite inteira ela teve sonhos lindos. Quando acordou de manhã, o dentinho e a mochilinha não estavam mais lá. Só tinha uma moedinha e um bilhetinho: “Obrigada, Cristina. Como você pensou em mim, vou espalhar pozinho mágico na sua cama todas as noites, para você ter sonhos encantados.” Desde então, Cristina dorme como um anjinho e nunca fecha a janela.
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