
Histórias para Dormir
O casamento do rei Edyrion
Era uma vez, numa terra chamada Ezos, um cavaleiro valente chamado Viserion. Um dia, chegou para ele uma carta do próprio rei Edyrion: o cavaleiro devia acompanhar a filha do rei na viagem para o casamento – o casamento do próprio rei Edyrion. Mal terminou de ler a carta, o cavaleiro pulou no cavalo e partiu para encontrar a princesa.
Depois de muitas horas de cavalgada, chegou ao castelo onde a princesa morava. — Sou Viserion, da terra de Ezos. Vim buscar a princesa Dagmar para levá-la em segurança ao casamento do pai dela — disse, ao entrar no salão. — A princesa saiu para passear com a guarda, deve voltar logo. Vou levá-lo até o seu quarto, e lá o senhor pode esperar por ela — respondeu a criada. O cavaleiro concordou, e os dois foram para o quarto dele.
Passaram pela feira, pela praça, pelo mercado e, de repente: — Psiu, é você o cavaleiro que veio buscar a princesa? — perguntou um comerciante. — Sou eu — respondeu Viserion. — Então não vá com eles a lugar nenhum. A princesa sumiu há alguns dias, e eles querem prender você para você não contar a ninguém quando descobrir. O rei Edyrion ficaria louco se soubesse. O cavaleiro não acreditou.
Pouco depois, ele e a criada chegaram. O cavaleiro estava tão cansado que se deitou e dormiu na hora. Bem cedinho, esfregou os olhos e pulou da cama. Viu um guarda parado na porta e perguntou se a princesa já tinha voltado. Mas não teve resposta – o guarda ficou calado. O cavaleiro resolveu, então, perguntar ele mesmo sobre a princesa na corte. Só que, quando foi até a porta, o guarda esticou o braço e bloqueou o caminho com a lança.
O cavaleiro recuou para dentro do quarto e lembrou do que tinha ouvido no mercado sobre o sumiço da princesa. “Deve ser verdade, se não querem me deixar sair. Eles me prenderam!”, pensou. Pensou depressa num jeito de escapar dali e teve uma ideia… Escondeu-se atrás da porta. — Cadê você? — perguntou o guarda, mas Viserion não respondeu. O guarda perguntou de novo, e nada. Achou que o cavaleiro tinha fugido, abriu a porta e entrou. Na mesma hora, o cavaleiro escapuliu de trás da porta, saiu correndo do quarto e trancou a porta com um cadeado.
Nem passou pelo castelo e, convencido de que alguém tinha raptado a princesa, saiu logo à procura dela. Procurou por vários dias. Na véspera do casamento, não teve outro jeito senão avisar o rei que a filha dele tinha sumido. Voltou, então, à corte para mandar de lá um pombo-correio. — O que você está fazendo? — perguntou uma voz de mulher atrás dele. — Mas… como assim? Eu passei vários dias procurando você! — exclamou ele, ao ver a princesa Dagmar. E a princesa respondeu: — Eu sei, o guarda me contou. Por que você fugiu? — Achei que tinham raptado você. Alguém me disse isso no mercado e, quando o guarda não quis me deixar sair, eu acreditei — respondeu ele. — Eu só tinha mesmo saído para passear e voltei naquela mesma noite. O guarda não quis deixar você sair porque eu mesma mandei – queria falar com você logo cedo. Mas agora isso não importa. Precisamos partir já, para chegar a tempo ao casamento do papai — explicou a princesa. E assim os dois pegaram a estrada e chegaram sãos e salvos ao casamento do rei Edyrion…
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