O cavaleiro e a velha ponte

Naquele dia, o castelo estava cheio de vida. No grande salão, as tochas iluminavam as paredes, a comida perfumava o ambiente, e os cavaleiros estavam reunidos, festejando. Enquanto isso, riam e contavam uns aos outros sobre as missões que cada um receberia no dia seguinte.

Um deles iria proteger a princesa durante a viagem ao reino vizinho. Outro ficaria de vigia nas montanhas para garantir que o dragão não se aproximasse das aldeias. Um terceiro acompanharia os mercadores que transportavam pedras preciosas e tecidos de seda.

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O cavaleiro e a velha ponte

Havia também o cavaleiro Mateus. O comandante olhou para ele e disse: “Você ficará de guarda na velha ponte de pedra”. 

Mateus ficou surpreso e perguntou: “Em qual ponte?” 

Então o comandante respondeu: “Na ponte de pedra atrás da floresta. Você deverá vigiá-la durante todo o dia e toda a noite”. 

À mesa, alguém soltou uma risadinha. Uma ponte. Nenhum dragão, nenhuma princesa, nenhum grande perigo. Apenas uma velha ponte por onde, de vez em quando, passava uma carroça ou algum viajante. 

Mateus ficou um pouco desapontado. Pensou que talvez o comandante não confiasse muito nele e tivesse lhe dado uma missão sem importância.

Na manhã seguinte, chegou bem cedo à ponte. Ela atravessava o rio em um belo arco de pedra. Era antiga, coberta de musgo e parecia silenciosa e abandonada. Mateus apoiou-se na lança e suspirou: “Será que esta é mesmo uma missão para um cavaleiro?”, murmurou. 

Mesmo não gostando muito da tarefa, decidiu cumpri-la com responsabilidade. E assim ficou de guarda, ora sentado, ora em pé, observando os arredores. Por muito tempo, nada aconteceu. A água corria tranquilamente, os pássaros sobrevoavam o rio, e o tempo parecia passar bem devagar. 

Quando o entardecer chegou e o ar ficou mais fresco, Mateus ouviu um pequeno estalo. Não eram bichinhos da floresta, mas sim a ponte. 

“Ai”, ouviu-se fraquinho. 

Mateus olhou ao redor, surpreso: “Quem está aí?”

“Sou eu, a ponte. E já faz muito tempo que isso me dói”, respondeu ela. 

O cavaleiro se aproximou com cuidado e começou a examiná-la. Foi então que percebeu uma pequena rachadura na pedra. Era tão fina que, durante o dia, quase ninguém a notaria. Mesmo pequena, atravessava a ponte de um lado ao outro.

Então a ponte lhe contou baixinho que todos os dias suportava o peso das carroças, enfrentava o vento, a chuva e o rio correndo sob ela. E confessou que tinha medo de não aguentar para sempre.

Mateus ficou surpreso e entendeu que o problema era mesmo sério. Ao mesmo tempo, percebeu que se tratava de uma ponte muito importante. Ela ligava duas aldeias e era o único caminho seguro entre elas. Se a ponte não estivesse ali, as pessoas teriam que andar um longo caminho pela floresta, um lugar muito mais perigoso.

Durante a noite inteira, ele conversou com a ponte, e os dois combinaram qual seria a melhor forma de consertá-la. De manhã, enviou uma mensagem ao castelo contando o que havia descoberto. 

A ponte continuou vigiando e esperando até que alguém chegasse para ajudá-la. À tarde, os construtores chegaram e, seguindo os projetos de Mateus, começaram os reparos. 

Quando Mateus voltou ao castelo, naquela noite, o comandante já o esperava junto ao portão: “Você fez um bom trabalho, muito obrigado”, disse ele. 

Mateus sorriu. Ele já não achava que vigiar a velha ponte fosse uma missão menos importante do que as outras. Os cavaleiros são necessários em toda parte, e é bom que eles ajudem a proteger nossa paz e segurança. 

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