Na beira da floresta havia uma casinha onde vivia uma família com duas crianças. Na mesma casa vivia também uma ratinha chamada Emília, que tinha sua toca embaixo da mesa da cozinha.
Emília era pequenininha e ágil, de modo que tinha facilidade para roubar depressa algo saboroso e escondê-lo em sua toca. Adorava seu lar e se sentia muito à vontade por ali. A mãe das crianças sempre cozinhava delícias que também agradavam ao seu paladar, e ela jamais passava necessidade.

Certo dia, a mãe chegou em casa, e a ratinha percebeu que ela havia escondido nozes na prateleira mais alta do armário da cozinha. Mas não eram nozes comuns — eram tão grandes e, à primeira vista, pareciam muito saborosas.
Porém, a ratinha nunca havia subido tão alto. Sempre roubava apenas os restos que caíam no chão, ou saltava no parapeito, onde a mamãe costumava guardar alguma comida na cestinha. A princípio, disse a si mesma que comeria apenas algo que sobrasse do jantar e depois iria dormir, como sempre fazia. Mas no fim, não conseguiu resistir e decidiu ir buscar aquelas nozes.
Decidiu que não dormiria até prová-las e começou a tramar um plano de como poderia chegar até lá. Era longe demais para uma pequena ratinha, mas ela já tinha um plano bem arquitetado! Correu até a mesinha, da mesinha saltou para o parapeito, do parapeito para a pia, da pia para a prateleira e da prateleira até chegar à prateleira mais alta de todas. A ratinha Emília já havia agarrado a noz e ia saboreá-la, quando ouviu um grito de criança. A pequena Aninha também avistou as guloseimas que a mamãe estava guardando na pia e quis ir petiscar, mas flagrou a ratinha Emília.
Imediatamente o pai correu para a cozinha, agarrou uma vassoura e começou a perseguir a ratinha Emília. Emília fugiu o mais rápido que conseguia. De volta à prateleira, da prateleira ao parapeito e, quando o papai quase a acertou, preferiu pular direto no chão e correr para fora de casa pelas portas entreabertas. Atravessou correndo o jardim até a floresta, onde pelo menos comeu aquela única noz que conseguira pegar.
E para onde iria agora? Lá fora estava escuro, e a ratinha Emília não tinha para onde ir. Foi então que avistou um pequeno buraco no oco de uma árvore, para onde logo correu.
Mas ela não sabia que aquilo já era a casa de outro morador. Como se assustou! Diante dela, estava um animalzinho com grandes espinhos marrons. Pensou que era o fim para ela. Logo se virou para fugir, mas então ouviu uma voz suave:
“Ratinha, não precisa ter medo de mim. Eu sou o porco-espinho Miguel e moro aqui completamente sozinho. Todos têm medo de mim porque tenho espinhos, mas é só para me proteger dos animais grandes que me devorariam. E também para carregar melhor a comida nas costas. E você, como você chegou até aqui?”
“Eu vivia com uma família, mas hoje eles me descobriram quando quis pegar uma noz e me expulsaram de casa. Não tenho onde ficar e estou com medo…”, disse a ratinha Emília.
“Então fique aqui comigo. Seremos amigos. Eu não tenho amigos e, pelo menos, iremos juntos buscar guloseimas na floresta. Eu te protegerei!”, disse Miguel.
Emília ficou alegre. Decidiu então ficar com o porco-espinho Miguel. Desde esse dia, nenhum dos dois ficou mais sozinho, e os dois se tornaram melhores amigos.