O primeiro voo do pardalzinho

Na beirada do telhado de uma casa velha, havia um pequeno ninho escondido. Do chão, ninguém conseguia vê-lo, e isso era bom. Lá dentro vivia um pequeno pardal com seus irmãos.

No começo, eles só ficavam deitados, bem apertadinhos uns aos outros, esperando. Não sabiam quase nada sobre o mundo. Só sabiam que, quando piavam, a mamãe chegava voando com comida.

Rozprávka na dobrú noc - O primeiro voo do pardalzinho
O primeiro voo do pardalzinho

A mamãe pardal voltava muitas vezes. Às vezes, trazia uma sementinha no biquinho; outras vezes, algum insetinho. O filhote sempre abria o bico o máximo que conseguia. Estava sempre com fome, e por isso a mamãe nunca parava. Ela voava até o ninho e logo saía novamente em busca de mais comida. 

Quando o pardalzinho comia, encolhia-se outra vez ao lado dos irmãozinhos, bem quentinho, e escutava os sons ao redor. Ouvia o vento farfalhar, os passos das pessoas na calçada e, de vez em quando, uma buzina. Eram os carros passando lá embaixo. Tudo era novo para ele e, por enquanto, desconhecido. E ele sonhava com o dia em que voaria como sua mamãe.

Nos dias seguintes, aos poucos, começou a ficar de pé. Primeiro, meio inseguro. Depois, já conseguia se equilibrar sozinho. Suas penas iam crescendo, e as asas já não eram tão pequenas nem tão fraquinhas. Muitas vezes, ele as batia dentro do ninho, esbarrava nos irmãos e tentava abri-las o máximo que podia.

“Sente-se, senão você vai cair de novo”, ouviu certa vez da mamãe, quando ele se inclinou demais para a beirada. 

Mas o pardalzinho queria ver mais. A beirada do ninho o atraía. Um dia, criou coragem e subiu nela. Olhou para baixo. Era muito alto. De repente, perdeu toda a coragem. Voltou depressa para dentro do ninho e ficou feliz por estar outra vez junto dos irmãos.

Nos dias seguintes, observou a mamãe voando para longe e voltando. Percebeu que ela nunca ficava parada no mesmo lugar por muito tempo. Ela sempre pousava, olhava ao redor e logo levantava voo novamente.

Certo dia, ela pousou bem pertinho do ninho e o chamou: “Venha até mim”. 

O pardalzinho voltou para a beirada. Suas asas tremiam e ele não queria cair. Então criou coragem e pulou. Em vez de despencar, pousou em um galho logo abaixo do ninho. O voo não foi dos mais bonitos, e o pouso também foi meio desajeitado, mas ele tinha conseguido. Segurou-se firme no galho e respirou fundo. 

“Viu? É assim mesmo. Você só precisa começar devagar”, disse a mamãe.  

A partir daquele dia, ele passou a tentar cada vez mais. Fazia voos curtinhos, saltava de um galho para outro e, às vezes, ainda aterrissava de um jeito meio atrapalhado.

Uma vez, acabou caindo no chão e ficou ali por alguns instantes, assustado e sem saber o que fazer. Antes mesmo que pudesse pensar, a mamãe já estava ao seu lado e o ajudou a voltar para um lugar seguro.

Então chegou o dia em que ele já não sentia tanto medo. Tomou impulso, bateu as asas com mais força, e elas finalmente o sustentaram no ar. Voou pelo pátio até outra árvore. Quando pousou, olhou ao redor e lá embaixo estava o mundo. Lá em cima, os galhos. E ao seu redor, o ar fresco, com um cheiro tão bom.

Ele já não era apenas um filhote que vivia no ninho. Agora era um pardal independente, pronto para descobrir o mundo e aproveitar a alegria de voar.

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