As zebras nunca vivem sozinhas. Elas vivem em bandos, sempre bem juntinhas, pastando e caminhando pela savana enquanto observam tudo ao redor. Mesmo assim, elas raramente se sentem realmente seguras.
Qualquer ruído pode ser um sinal de perigo, e qualquer cantinho pode esconder um predador. As zebras aprendem a viver sabendo que a tranquilidade nem sempre dura muito. A savana é bonita, é verdade, mas também pode ser perigosa, e a paz costuma durar só um pouquinho.

Durante o dia, elas se concentram nas coisas simples. Procuram capim fresquinho, caminham devagar até a água e cuidam dos filhotes, que às vezes saem correndo para longe demais. Mas cada zebra pensa o tempo todo na mesma coisa: tomara que o perigo não apareça.
Elas movimentam as orelhas, abanam o rabo e nem mesmo enquanto pastam conseguem relaxar completamente. Às vezes, é bem difícil ser uma zebra.
Quando o sol começa a se pôr, o bando se reúne ainda mais. As noites são sempre as mais difíceis. Os sons parecem mais fortes e as sombras ficam mais compridas. As zebras se acomodam para dormir, mas não conseguem pegar no sono logo de início.
Uma zebrinha chamada Mila se aconchega na mamãe e pergunta baixinho: “Podemos contar de novo hoje?”
“Sim, vamos começar devagar”, responde a mamãe com calma.
Contar listras é uma das brincadeiras preferidas das zebras. Mas, acima de tudo, esse costume ajuda todo o bando a se acalmar antes de dormir. A mamãe zebra aponta com a cabeça para as listras, e Mila as observa.
“A primeira parece uma ponte, e a segunda, uma folha”, diz ela, enquanto descreve as listras da mãe.
As listras nunca são iguais, e cada uma tem seu próprio desenho. Enquanto a mamãe vai descrevendo cada uma delas, não é só Mila que se acalma. As outras zebras também escutam em silêncio. Aos poucos, todo o bando relaxa e consegue adormecer. Apenas duas zebras permanecem acordadas para fazer a vigia.
E assim foi, dia após dia, mês após mês. As zebras gostavam daquela tranquilidade da noite e adoravam seu ritual antes de dormir. O que elas nunca conseguiam encontrar era um lugar realmente tranquilo durante o dia.
Até que, certo dia, chegaram a um lugar diferente de todos os outros da savana. Ali, rochas baixas formavam um abrigo contra o vento, a grama era bem baixinha e, ao redor, havia uma passagem estreita por onde elas poderiam escapar rapidamente, se fosse preciso. O mais importante era que o vento levava para longe todos os cheiros do bando. Assim, seria muito mais difícil para os predadores encontrá-las.
O lugar era protegido por rochas em três lados e aberto de um lado, permitindo que elas observassem bem os arredores. Quando se deitaram, sentiram a terra firme sob os cascos e perceberam uma paz que havia muito tempo não conheciam.
Não havia capim alto onde algum perigo pudesse se esconder, nem cheiros vindos de todos os lados. Pela primeira vez em muito tempo, elas se sentiram realmente seguras e não precisaram olhar ao redor a todo instante.
Naquela noite, deitaram-se novamente bem juntinhas e começaram a contar as listras. Mesmo que não precisassem mais se acalmar, continuavam gostando daquele costume.
“A primeira listra parece uma trilha na montanha… Esta segunda parece uma ponte… E a terceira é bem retinha, como um talo de capim”, disse a zebra mais velha.
“Esta aqui é a minha preferida”, bocejou a pequena Mila, apontando para a quarta listra. Então ela fechou os olhos e adormeceu tranquilamente.