Como a dança passou a fazer parte de todos os dias

Teresa ia todas as terças-feiras à tarde para sua aula de dança, em um estúdio perto da praça. Lá havia um piso de madeira brilhante, espelhos enormes e uma música que sempre começava no horário da aula.

Para ela, aquele era o lugar da dança. Era ali que aprendia os passos, ensaiava as coreografias e se preparava para as apresentações. Quando a aula terminava e a música parava, Teresa achava que a dança também ficava por ali. 

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Como a dança passou a fazer parte de todos os dias

Mas, certo dia, a professora deixou a música tocar um pouquinho mais. As crianças já estavam guardando os materiais, algumas organizavam a sala, e era a vez da Terezinha varrer o chão. 

Foi então que ela percebeu que estava cantarolando baixinho e que seus pés se moviam sozinhos, acompanhando o ritmo da música. Mas ela não dançava nada ensaiado, e ninguém contava os tempos de dança para ela. Ela simplesmente se mexia do jeito que seu corpo tinha vontade.

No caminho para casa, ela andou mais devagar do que de costume. A mochila balançava nas costas, e seus passos pareciam mais leves, como se ela estivesse caminhando sobre uma nuvenzinha. 

Ao atravessar a rua, deu uma voltinha sem nem perceber. Em casa, sentou-se para fazer as tarefas, mas, quando foi à cozinha buscar um copo d’água, atravessou o cômodo quase dançando. Era como se seu corpo tivesse descoberto que podia dançar em qualquer lugar.

No dia seguinte, a dança encontrou o caminho até ela de novo. Enquanto escovava os dentes, balançava de um lado para o outro. Enquanto arrumava o quarto, fazia tudo mais depressa e, ao mesmo tempo, não pensava em mais nada além de música e dança. 

Mas, na tarde do dia seguinte, Teresa voltou da escola completamente sem ânimo. Jogou a mochila perto da parede, sentou-se na cama e ficou olhando para o chão. A cabeça dela estava uma confusão, ela não tinha vontade de fazer nada, e até o quarto dela parecia meio estranho. 

Depois de alguns minutos em silêncio, pôs uma música para tocar, mais por costume do que por vontade. Durante a primeira canção, continuou sentada na cama, olhando para o nada. Mas então se lembrou da sensação que tinha quando dançava e andava como se estivesse nas nuvens. 

Respirou fundo, levantou-se e começou a se mover bem devagar. Primeiro, apenas balançava o corpo de um lado para o outro. Na música seguinte, percebeu que respirava melhor. Seus ombros já não estavam tão pesados. E, devagarinho, a vontade de dançar voltou. 

Com o tempo, Teresa descobriu que, sempre que estava triste, cansada ou preocupada, bastava colocar uma música e se movimentar por alguns minutos. Ela não precisava ensaiar uma coreografia nem pensar em uma apresentação. Bastava ouvir a música e deixar o corpo acompanhar o ritmo. Era como se a dança trouxesse alegria de volta.

E assim Teresa descobriu que a dança não ficava só no estúdio ou no salão de dança. Ela podia aparecer pequenininha, escondida no caminhar pela casa, na espera pelo ônibus ou naquele momento em que a gente precisa levantar um pouquinho o astral. 

Algum tempo depois, quando foi se apresentar com as crianças e a instrutora de dança, Terezinha já dançava de outro jeito. Mais leve. Mais feliz. Quando a música terminou, ela sorriu e percebeu que a dança não tinha ficado no palco. Ela tinha ido para casa com ela… e faria parte dos seus dias dali em diante.

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