As nuvenzinhas passeavam tranquilamente pelo céu. No meio delas havia uma nuvenzinha fofinha, branquinha e radiante chamada Gotinha. Ela tinha esse nome porque parecia uma grande gota d’água flutuando pelo céu.
Gotinha gostava muito das pessoas, dos animaizinhos e das florzinhas. Enquanto passeava lá no alto, observava tudo o que acontecia na Terra. Achava lindo ver as pessoas felizes e sorridentes quando fazia sol e o tempo estava bonito.

Mas Gotinha não gostava nem um pouco de chuva.
Toda vez que as nuvens de chuva Toró e Tempestade apareciam no céu despejando verdadeiros aguaceiros, Gotinha ficava triste.
“Venha chover com a gente, Gotinha!”, chamavam as nuvens grandonas, derramando água sem parar.
“Eu não vou. Não quero chover. As pessoas não iam mais gostar de mim. Elas também não gostam de vocês. Depois da chuva, tudo fica alagado”, resmungava Gotinha.
Então ela decidiu que nunca mais iria chover.
Até enxotava Toró e Tempestade para longe, para que não chovessem perto dela.
E assim os dias foram passando, até que quase um mês inteiro se passou sem cair uma gota de chuva.
Foi então que Gotinha percebeu que seu branco brilhante estava desaparecendo. Aos poucos, ela começava a ficar cinzenta.
“Socorro! Estou ficando cinzenta! Estou virando uma nuvem de chuva! Ah, não! Ninguém mais vai gostar de mim!”, chorava Gotinha.
E, assim que começou a chorar, pequenas gotinhas caíram lá embaixo, sobre a terra.
Não era uma tempestade, só uma chuvinha refrescante de verão.
Mesmo assim, Gotinha ficou assustada e quase não teve coragem de olhar para baixo.
Mas, quando finalmente olhou, levou uma grande surpresa.
“Oba! Finalmente está chovendo!”, comemorou uma vovó. “Agora meus legumes não vão secar.”
“Ebaaa! Vamos pular nas poças!”, gritavam as crianças felizes.
E não eram só as pessoas que estavam contentes.
Os cavalos corriam alegres pelos pastos, as rãs saíam dos lagos para ver a chuva, e até os peixes pareciam festejar debaixo d’água, felizes porque o lago receberia mais água.
As flores, as árvores e os arbustos balançavam suavemente, agradecendo à nuvenzinha pela chuva refrescante que lavava a poeira e matava sua sede.
“Eles gostam de mim mesmo quando eu faço chover?”, admirou-se Gotinha. “Como isso é possível?”
“É porque, sem chuva, tudo secaria”, explicou Toró, aproximando-se para chover um pouquinho também. “As pessoas, os animais e as plantas precisam de água.”
“Mas eu já vi gente reclamando da chuva”, respondeu Gotinha.
“As pessoas sempre reclamam de alguma coisa”, disse Toró, balançando a pontinha da nuvem. “Ou reclamam do calor, ou da chuva que não para. Tem gente que nunca está satisfeita.”
Depois ele sorriu e disse:
“Então seja exatamente do jeitinho que você é, Gotinha. Faça aquilo que nasceu para fazer. E não fique tentando agradar todo mundo, porque isso é impossível. Vamos chover juntos?”
“Vamos sim!”, respondeu Gotinha, feliz.
E, desde aquele dia, ela nunca mais teve medo de chover.
Agora sabia que a natureza precisava da chuva e que ninguém deixaria de gostar dela por causa disso.
Afinal, até os dias chuvosos podem ser cheios de alegria, principalmente para as crianças que gostam de pular nas poças d’água.