O senhor do pátio

Nos confins de uma pequena aldeia erguia-se um pátio de fazenda. Não era grande, mas os animais viviam ali de forma sossegada, até que certo dia o galo Ferdinando passou a desejar algo mais. Todas as manhãs despertava o pátio com seu forte cocoricó, e todos o conheciam como um galo zeloso e de confiança. Contudo, isso não lhe bastava. Queria ser o senhor do pátio.

“Por que eu não deveria decidir o que se deve fazer? Eu acordo a todos, todos me escutam! Deveriam me obedecer em tudo!”, resmungava Ferdinando enquanto caminhava entre os comedouros.

Histórias para crianças - O senhor do pátio
O senhor do pátio

Certa manhã ele decidiu agir. Voou até a cerca mais alta, estufou o peito e cantou ainda mais forte que de costume.

“A partir de hoje eu sou o senhor do pátio!”, declarou.

As galinhas se calaram por um instante, o porquinho parou de se rolar na lama, e a gata no sótão abriu um olho.

“E o que isso quer dizer?”, perguntou a galinha mais velha, branca e um tanto rabugenta.

“Isso quer dizer que todos vocês farão o que eu mandar. Eu determino quando comerão, onde dormirão e quem pode se banhar na lama!”, respondeu o galo com ar de importância.

“E quem te elegeu como senhor?”, ecoou de um canto. 

Era o cão Beni, velho guardião do pátio, tranquilo e sábio.

“Ninguém precisou me eleger. Sou o mais barulhento e o mais bonito. E isso basta!”, disse Ferdinando, empinando a cauda.

As galinhas trocaram olhares, o porquinho franziu o cenho, e a patinha do lago murmurou algo para si mesma. Resolveram dar-lhe uma chance por um dia.

E assim começou o reinado do galo. Primeiro proibiu todos de dormir no velho galinheiro, pois, segundo ele, isso fazia bagunça. Depois ordenou que cada um cocoricasse três vezes antes do desjejum, mesmo que as galinhas não soubessem. À patinha, proibiu nadar, pois isso a deixava molhada, e ao porquinho não permitiu mais rolar na lama, pois ele ficava sujo. Até mesmo ordenou ao cão Beni que latisse a cada hora cheia, para manter a ordem.

Até o anoitecer, o pátio estava de pernas para o ar: as galinhas famintas e roucas, o porquinho irritado e a patinha toda ressecada. Beni apenas se sentou junto ao portão e deixou o tempo passar.

Na manhã seguinte, ninguém esperou pelo cocoricó do galo. Os animais se reuniram silenciosamente num cantinho do pátio e se aconselharam. Quando Ferdinando subiu novamente na cerca, pronto para proclamar novas ordens, uma surpresa o aguardava.

“Ferdinando, nós te demos uma chance. Mas ser senhor do pátio não significa apenas dar ordens. Significa servir aos outros, compreendê-los e protegê-los. E você apenas dava ordens.”, explicou Beni.

As galinhas assentiram com a cabeça, a patinha voltou para o lago, e o porquinho se esfregou com gosto na lama. O galo ficou envergonhado. Desceu da cerca, baixou a cabeça e disse em voz baixa:

“Me perdoem. Eu só queria que vocês me levassem a sério. Mas parece que eu estava enganado.”

Beni sorriu. 

“Quem sabe, talvez um dia você seja um bom líder. Mas primeiro precisa aprender a escutar.”

Dali em diante, o galo cantava como antes – alto e confiável. Já não se proclamava senhor, mas, quando alguém precisava de ajuda, sempre estava por perto. E os animais começaram a respeitá-lo ainda mais – não por sua cauda ou sua voz, mas por seu coração.

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