Em uma pequena cidade do sul da Boêmia, morava uma menininha chamada Josefina, mas o papai adorava chamá-la de Pepina. A mamãe tentou por muito tempo impedir esse apelido, mas no fim ela mesma se acostumou a chamá-la assim. Pepina não se importava muito com isso e, na verdade, até gostava bastante do apelido.
No seu quartinho, ela tinha muitos brinquedos. Cuidava de cada um com muito carinho, guardava tudo com capricho e fazia o possível para que durassem o maior tempo possível. E era justamente por isso que os brinquedos a amavam tanto.

Mas, à noite, quando tudo ficava escuro, muitas vezes os brinquedos começavam a brigar. Quem mais brigava era o computador, o baldinho de areia e o bichinho de pelúcia.
Certa noite, eles tentaram decidir qual era o brinquedo mais importante. Cada um apresentava seus argumentos, mas eles não conseguiam entrar em acordo. Por isso, decidiram que teriam 24 horas para descobrir qual deles era o mais importante para Pepina e apresentar as provas disso.
Logo de manhã, Pepina acordou, deu bom-dia aos seus brinquedos e foi para a escola. Assim que ela saiu, os brinquedos, impacientes, começaram a pensar em como poderiam provar quem era o preferido.
O computador pensou de forma lógica: “Eu sou o mais importante, pois ajudo Pepina com as tarefas e pesquisas da escola”. O baldinho de areia imaginou, mais uma vez, o enorme castelo que ajudaria Pepina a construir para mostrar seu valor. Já o bichinho de pelúcia ficou esperando, ansioso, pela volta de Pepina, torcendo para encontrar alguma maneira de provar que também era especial.
Até que, finalmente, Pepina voltou da escola. Mas, ao vê-la, os brinquedos se assustaram, pois ela parecia muito triste. Ficaram em silêncio por um momento e logo descobriram o motivo: ela havia tirado uma nota ruim em matemática.
Da sala de estar, ouviram a voz da mamãe a consolando: “Josefina, não foi nada. Uma nota ruim, afinal, não quer dizer muita coisa. Se você for para o quarto e revisar a matéria, da próxima vez sua nota com certeza vai ser melhor”.
Pepina enxugou as lágrimas e foi para o seu quarto. Ela pegou o caderno de matemática e estendeu a mão para o computador. “Você com certeza vai me ajudar”, pensou Pepina. O computador ficou orgulhoso por ter sido o primeiro brinquedo que Pepina escolheu.
Ela estudou com a ajuda dele, e depois a mamãe veio conferir o que a filha tinha aprendido. “Viu só, Pepina? Você já sabe tudo. Da próxima vez, sua nota vai ser ainda melhor”, elogiou. “E agora, por favor, não pense mais na escola e vá brincar um pouquinho no jardim”, continuou a mamãe.
Pepina ficou feliz por estar se saindo tão bem, pegou o baldinho de areia e foi para o jardim brincar. Ali, o brinquedo começou a se sentir orgulhoso. Pepina passou pelo menos uma hora brincando com o baldinho e construindo lindos castelinhos de areia.
O computador e o baldinho de areia já estavam querendo rir do bichinho de pelúcia, porque tinham mostrado que eram amigos muito importantes para Pepina. Mas o bichinho de pelúcia não se afobou e esperou calmamente a sua vez. E ela chegou à noite.
Pepina foi tomar banho e vestiu um pijaminha cheiroso. A mamãe leu uma historinha para ela e, antes de sair, lhe deu seu bichinho de pelúcia mais querido. Ele abraçava Pepina com muito amor, até que ela pegou no sono.
Então, os brinquedos perceberam que cada um deles era muito importante para a Pepina. Mas entenderam também que cada um tinha seu momento certo de brilhar.