Em algum lugar muito distante, além de três montanhas e três vales, numa pequena aldeia vivia um passarinho chamado Cartinha. Ele tinha a cabeça azul, o peito amarelo e as asas malhadas. Chamavam-no assim porque ele cuidava de toda a correspondência que o povo precisava enviar para as cidades vizinhas.
Cartinha era muito querido na aldeia, e o povo sempre o presenteava com guloseimas por seu trabalho.

Naquela manhã, quando o sol já começava a nascer, Cartinha recolheu as cartas das casas e se preparava para sua jornada. Alçou voo com as cartas no biquinho e disparou como o mais veloz dos pássaros. Hoje tinha algumas cartas a mais – eram dez ao todo. Cartinha confiava que conseguiria entregá-las todas e depois voltaria em paz para seu ninho, onde o esperava a comida preparada.
Mas, naquele dia, aconteceu um grande problema! O vento soprou todas as cartas para dentro da floresta. Rapidamente, Cartinha voou baixo e tentou procurá-las, mas encontrou apenas uma. Tristemente, sentou-se na grama, sem saber como entregaria a correspondência. Foi então que uma lebre saltitou até ele.
“Oi, passarinho, por que estás aí sentado assim? Por acaso se perdeu?” perguntou a lebre.
Cartinha balançou a cabecinha.
“Não me perdi. Apenas estava levando cartas, e o vento soprou todas elas do meu bico. Como vou entregar a correspondência agora? O povo da minha terra ficará desapontado comigo.”, disse tristemente.
A lebre saltitou no lugar e falou:
“Meus amigos vão te ajudar a encontrar as cartas. Não se preocupe!”
E a lebre convocou todos os seus amigos da floresta: o ratinho, o porco-espinho, a coruja e a raposa. A turma era esperta e todos se puseram a procurar.
O vento havia feito uma grande confusão, mas, juntos com Cartinha, os animais encontraram todas as dez cartas perdidas.
“Obrigado, amigos! Um dia, quando precisarem de ajuda, vou retribuir essa gentileza!”, disse Cartinha, partindo para entregar as cartas encontradas nos devidos lugares.
Já estava quase anoitecendo quando voltou para casa, mas estava alegre. Conseguiu entregar todas as cartas e, mais uma vez, encontrou sua recompensa esperando. Cartinha nunca se esqueceu dos amigos da floresta. Esperava que, um dia, voltassem a se encontrar, quando ele estivesse entregando suas cartas.